Novo torneio poderá gerar recurso do Gama
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de junho de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Embora tenham decidido pela criação da Copa João Havelange competição que substitui o Campeonato Brasileiro , os dirigentes do Clube dos 13 vão ter de viabilizar juridicamente o novo campeonato. O vice-presidente do Clube dos 13, Eurico Miranda, informou que os clubes vão utilizar o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) e a Comissão de Arbitragem. Isso pode gerar um recurso do Gama, alegando haver uma ligação da competição com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Temos um sistema federativo e só estamos fazendo um campeonato desfiliado por causa do problema do Gama, diz Eurico, para quem os clubes não têm condições de organizar tudo sozinhos. A CBF vai controlar esta estrutura, competições internacionais e a seleção brasileira.
O especialista em direito esportivo, Heraldo Panhoca, acredita que, se o TJD e a Comissão de Arbitragem forem utilizados, estará caracterizado uma burla da lei e os dirigentes da CBF e dos clubes podem ser presos. Isso só não acontece se os clubes fundarem uma liga autônoma.
Advogado desportivo, Valed Perry discorda de Panhoca. O TJD é um figura jurídica independente, garante. Em relação à Comissão de Arbitragem, ele admite uma ligação com a CBF, mas encontra uma solução para os clubes. O Clubes dos 13 só precisa montar uma comissão paralela.
A escolha dos representantes brasileiros na Taça Libertadores em 2000 também gera nova polêmica. É possível, por exemplo, haver desrespeito à lei, na hipótese de o campeão e o vice da Copa João Havelange disputarem a competição. Perry rebate, alegando que o estatuto da Conmebol, Confederação Sul-Americana de Futebol, determina que o campeão brasileiro participe da Libertadores, sem especificar qual competição da qual saíra o campeão.
Durante o fim-de-semana, haverá encontros da diretoria do Clubes dos 13, composta por Eurico, o presidente da entidade Fábio Koff, o presidente do Palmeiras, Mustafá Contursi, e o presidente de honra do Bahia, Paulo Maracajá. Na terça-feira, ocorre a reunião entre todos os integrantes da entidade para definir o formato da Copa João Havelange.
Estatuto O conflito entre a Justiça comum brasileira e a Fifa, que ocorre no caso Gama, é mais um dos problemas causados pelo fato de a entidade ter um estatuto que pretende ser supranacional. Para a entidade máxima do futebol, as associações nacionais filiadas têm de respeitar o seu estatuto em detrimento da contituição do país.
Em seu artigo 61, inciso 1º, item b, o estatuto da Fifa determina a expulsão da associação que descumprir o estatuto. Sem a filiação à entidade, a associação fica impedida de participar de qualquer competição internacional, incluindo a Copa do Mundo. Desde o momento em que a entidade se filia a Fifa, abre mão de respeitar a própria constituição, diz o advogado esportivo, Valed Perry. Segundo ele, isso acontece porque não seria possível criar adaptações do estatuto em cada um dos quase 200 filiados à Fifa.
Em 1998, o presidente do Governo da Espanha, José Maria Aznar, baixou um decreto que dava ao governo local o direito de destituir o presidente da Liga Espanhola, que controla o campeonato de futbeol do país. A Fifa ameaçou desfiliar a Espanha e Aznar recuou de sua decisão.
Para jurista esportivo Heraldo Panhoca, é inadmissível que lei brasileira seja desrespeitada no terrritório do País. É uma questão de soberania nacional, a constituição é a lei máxima no Brasil, assegura. A Fifa não pode proibir os clubes de jogar contra o Gama, apenas não permitir que ele dispute jogos internacionais.


