Depois de marcar quatro gols em dois jogos do Londrina - três no jogo-treino (3 a 3) diante do União Bandeirante e um na derrota (2 a 1) contra o Arapongas - Fábio Nascimento ganhou a camisa titular do time. O técnico Paulo Comelli confirmou a presença do atacante no derby de segunda-feira. ‘‘Confio no futebol desse menino inteligente e corajoso nas jogadas de área. A altura dele (1,88 metro) facilita’’, disse o treinador, ao justificar a entrada de Fábio Nascimento na equipe. ‘‘Confio demais no potencial do garoto. Taticamente, ele é muito disciplinado’’, constata Comelli.
Nem os elogios de Comelli e dos torcedores parecem mudar o comportamento humilde de Fábio Nascimento, que percorre 10 quilômetros diários em cima de uma bicicleta - da Vila Recreio até o Estádio Vitorino Gonçalves Dias - para cumprir a dura rotina de treinos em dois períodos. Alguns companheiros, ao contrário, chegam de carrões novos - como Humberto, que dirige um Vectra. ‘‘É uma luta que não me desanima. Sei o que pretendo alcançar na carreira. Batalho pra conquistar meu espaço’’, conta Fábio Nascimento, 20 anos, que cursa o 3º Colegial na Escola Estadual Dr. Willie Davis.
Fábio Nascimento, que surgiu na escolinha do Londrina, não revela os salários, mas sabe-se que recebe apenas R$ 400,00 mensais. Antes de retornar ao Londrina, que o profissionalizou no segundo semestre do ano passado, ele passou pelos juniores do Atlético Paranaense (temporada-96) e, em seguida, tentou a sorte na Itália (na Udinese de Amoroso) e na Suíça (Lausanne). Ainda em 97, esteve no Inter de Santa Maria (RS), Portuguesa Londrinense e Botafogo do Rio. No segundo semestre de 98, transformou-se num dos destaques do Londrina na conquista do Campeonato Paranaense de Juniores.
Os títulos mais importantes: campeão sul-americano sub-17 (no Peru) e vice mundial (no Equador), ambos em 95, pela Seleção Brasileira. Naquele ano, Fábio Nascimento conduziu a tocha olímpica na abertura dos Jogos de Inverno de Londrina. ‘‘Me apontaram como exemplo de atleta da cidade. Nunca mais vou me esquecer. Foi legal demais..., orgulha-se Fábio Nascimento, cujo passe pertence ao ex-presidente do clube, Iran Campos.
O jogador não esconde um sonho: um dia, dar uma casa de presente à avó, d. Maria Cândida, que o cria desde criança. ‘‘Ela é a minha verdadeira mãe.’’Cesar AugustoDe bicicletaFábio Nascimento segue de bike da Vila Recreio para o VGD: ‘Sei o que pretendo alcançar na carreira’Nelson Cilo

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