Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
O goleiro Dida, que se transformou no mais novo ídolo do futebol brasileiro, tem uma timidez tão grande quanto ele. É o maior jogador da Seleção - 1,95 metro de altura - e uma envergadura que chega a 2,04 m. Suas defesas importantes, fechando o gol inclusive em cobranças de pênaltis, foram determinantes para a continuidade do Brasil na Copa América. O goleiro, no entanto, nem quer saber de elogios.
- Apenas tento fazer a minha parte - diz.
A fórmula, para ele, parece ser mesmo muito trabalho. No dia seguinte ao jogo com a Argentina, que o consagrou, enquanto os outros titulares descansavam, lá estava ele em campo, junto com os inseparáveis companheiros Marcos, goleiro do Palmeiras, e Paulo César, o PC, treinador de goleiros do Corinthians, time que pretende contratá-lo.
Foi ele quem recebeu a maior atenção das tietes, que não lhe pouparam elogios. Gritos como ‘‘gostoso’’, ‘‘lindo’’ e até alguns mais ousados, como ‘‘Dida, teu traseiro é lindo’’, faziam o goleiro contorcer o rosto, sem jeito.
Antes de chegar até essa condição de ídolo, Dida teve um primeiro semestre tumultuado. A princípio não era ele o goleiro dos sonhos do técnico Wanderley Luxemburgo. Os preferidos eram Tafarel - que desistiu da Seleção - e Carlos Germano, que se desligou por contusão. Sobrou para ele, que soube agarrar a oportunidade.
Antes disso, o goleiro sofria com uma interminável e tumultuada discussão contratual com o Cruzeiro. No final do seu contrato, ele decidiu se transferir para a Europa e foi para o Milan. O Cruzeiro não concordou e tentou impedir a negociação. O caso foi parar na Justiça.
Com medo de ficar sem jogar, Dida foi para o Lugano, clube suíço, onde, depois de um acordo, pôde jogar. Lá, no entanto, ele não tinha treinador de goleiros e fazia os treinamentos com o seu reserva.
Calmo, ele lembra desses momentos sem ressentimento. ‘‘Esse período difícil eu nem sei se houve, pois sempre continuei treinando e jogando.’’ Ele conta que sua cabeça parece estar dividida em dois ‘compartimentos’. E um deles é exclusivo para o trabalho.
- Em sete anos jogando como profissional, nunca relaxei, independente do que estivesse acontecendo na vida pessoal.
Com a convocação para a Seleção, começou a treinar com PC a partir do primeiro amistoso com a Holanda. O treinador procura trabalhar bastante o que ele considera alguns pontos falhos do jogador, como as saídas de bola. ‘‘Ele tinha certa dificuldade, mas, com os treinamentos, está superando’’, conta PC. A timidez talvez deixasse o jogador sem jeito para falar com os zagueiros. ‘‘Isso já está mudando; ele está falando e até gritando, se for preciso’’, garante PC.
Quanto à transferência para o Corinthians. Dida, cauteloso, nega que já tenha acertado com o novo clube. ‘‘Primeiro vou esperar terminar meu trabalho com a Seleção, para só depois pensar em fechar contrato com algum clube.’’

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