Novo comando dáadeus aos 'bad boys'
Luiz Claudio Oliveira
Enviado da Folha
A Seleção Brasileira, na nova fase comandada por Wanderley Luxemburgo, não tem grandes destaques individuais. Não existe nela nenhum jogador que se destacou durante toda a competição como o dono do time. O técnico conseguiu - não se sabe ainda se para o bem ou para o mal - fazer um grupo homogêneo, sem lideranças destacadas. Com isso, também parece ter eliminado da seleção os bad boys do futebol brasileiro.
Nomes de jogadores que são mais individualistas, como Romário, Marcelinho Carioca, Edmundo, Djalminha, Edílson, Viola e outros, parecem não se encaixar no projeto de Wanderley Luxemburgo para a Copa de 2002, que será realizada na Coréia e Japão - pela primeira vez na história, a Copa do Mundo vai ter a sede dividida em dois países.
Edílson até estava relacionado no grupo que disputou a Copa América, mas foi cortado depois da polêmica atitude de fazer embaixadas e equilibrar a bola nas costas, na final do Campeonato Paulista, entre Corinthians e Palmeiras, que resultou numa pancadaria generalizada. O técnico achou a atitude provocativa e desrespeitosa e cortou o jogador da lista de convocados.
Mesmo os bons meninos podem correr risco, como aconteceu com Leonardo, que decidiu desligar-se da Seleção por razões ainda não completamente explicadas. Wanderley deseja ter - e, pelo menos por enquanto, tem - o domínio total do grupo. Astros como Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos e Amoroso integraram-se perfeitamente bem dentro do perfil que o técnico começa a impor à nova Seleção.
Individualismos, estrelismos, rebeldia e até mesmo um caráter mais forte, que conflite com o do comando técnico, não devem ser tolerados por Luxemburgo. Como tudo na vida, essa atitude do técnico tem seu lado bom e o lado ruim.
A parte boa é que o time fica mais fácil de ser controlado, aceita melhor as ordens e determinações da comissão técnica. Por exemplo, se o técnico quer imprimir um certo estilo de jogo na Seleção, não terá contestadores, a não ser que seja algo completamente fora dos padrões, como, por exemplo, colocar Ronaldo de volante, Rivaldo na lateral-esquerda e Vampeta de centroavante. Ele terá a certeza de que não existirá aquele jogador que fará corpo mole por não estar satisfeito com a sua função tática.
Esse lado bom pôde ser observado na Copa América. É certo que não havia nenhum adversário mais forte, que oferecesse muitos riscos à Seleção. Mesmo assim, vale destacar que o esquema tático imposto pelo técnico foi absorvido e aceito. Jogadores como Ronaldo, Amoroso e Rivaldo tentaram cumprir as ordens do técnico.
O outro lado também foi visto na Copa América. Não há entre os jogadores nenhum que comande o time dentro de campo quando a situação está feia para o nosso lado. Aquele jogador que tenha a responsabilidade de chamar o jogo para si, que oriente os companheiros ou chame a atenção deles quando preciso.
Durante a Copa no Paraguai, a Seleção chegou a jogar muito mal e a levar sufoco do México, do Chile e da Argentina, que tinham times bem inferiores. Dentro de campo, os jogadores pareciam apáticos, desorientados, esperando que, de uma hora para outra, um dos craques fizesse uma grande jogada. O conjunto dependia do individual. Não de alguém que reorganizasse o conjunto, mas que resolvesse tudo sozinho em uma jogada individual, o que, felizmente, aconteceu.
Como o futebol é cíclico, agora, na hora da vitória, o trabalho de Luxemburgo foi festejado. Resta saber o que acontecerá se, por exemplo, o time não for tão bem na Copa das Confederações, que está para começar no México.





