Rio - O escândalo do desvio de ingressos da Copa do Mundo por uma quadrilha de cambistas que foi presa pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, na última terça-feira, começa a tomar proporções gigantescas. O advogado José Massih, braço direito do franco-argelino Lamine Fofana no Brasil, disse à polícia o primeiro nome do membro da Fifa que seria o líder da grandiosa quadrilha de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo que, só no Mundial do Brasil, pretendia lucrar R$ 200 milhões. O presidente da Fifa, e a própria entidade, divulgam que possíveis conexões da quadrilha com o órgão maior do futebol mundial são "rumores". "Eu não sei de nada disso. Eu não me ocupo de ingressos", declarou o presidente da Fifa, Joseph Blatter , colocando as mãos abertas para cima e dando um passo para trás. "Eu lido com política", acrescentou.
A polícia suspeita de que a quadrilha presa com dezenas de ingressos para a Copa operava em coordenação com funcionários da Fifa. As revelações causaram um terremoto dentro da entidade, que foi pega de surpresa diante do escândalo. Blatter, nos bastidores, passou a exigir que o caso seja resolvido o mais rapidamente possível. "Não temos nada a comentar por enquanto. Existem muitos rumores circulando. Vamos esperar uma reunião com a polícia para termos detalhes da operação", disse a porta-voz da Fifa, Delia Fischer.
Segundo o delegado responsável pela investigação, Fábio Barucke, o advogado Massih, preso em São Paulo na operação Jules Rimet e transferido nesta quarta-feira para o Rio, quer sua liberdade (por meio da delação premiada) para revelar mais detalhes do líder da quadrilha.
A polícia já sabia que havia alguém acima de Lamine Fofana na quadrilha: um integrante da Fifa, homem. Barucke, que não quis revelar o nome informado pelo braço direito de Fofana, afirmou, em coletiva de imprensa, que o integrante da Fifa é estrangeiro e está ou estava hospedado no hotel Copacabana Palace, onde está reunida toda a cúpula da Fifa.

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