Curitiba - Criar um novo esporte. Pode parecer inusitado, mas é o que um grupo de amigos curitibanos fez há pouco mais de um ano, inventando o footsack. Que na prática é bem mais fácil do que o nome aparenta. Ao menos em sua forma recreativa, espécie de reedição da tradicional ''embaixadinha'' do futebol, mas praticada com a ''bola'' oficial do esporte: um pequeno saco de forma cilíndrica (com cinco centímetros de altura, seis de diâmetro e 50 gramas de peso), feito de tecido de roupas de ginástica, preenchido com poliestileno triturado e recoberto por malha de crochê.
Para esta prática mais lúdica, o que vale é o controle da bolinha e a precisão dos passes para os colegas de roda, que também têm à chance de mostrar suas habilidades. Mas o esporte pode ser jogado competitivamente, de maneira parecida à do tênis ou do badminton (veja box).
A idéia de Marcos Juliano Ofenbock Nascimento surgiu em uma viagem à Austrália, onde conheceu o footbag, modalidade que também serviu de inspiração para o novo esporte. ''Eu tinha um amigo neo-zelandês que não se conformava com o fato de que no Brasil, que é o país do futebol, a gente não tivesse este esporte, em que o controle da bola é o principal'', explica o economista por formação. Que um dia, insatisfeito com o rumo da vida profissional, recordou destas palavras e resolveu pesquisar a fundo o footbag.
Neste estudo descobriu uma série de modalidades semelhantes, especialmente em países asiáticos, todas baseados no domínio de bolas de diferentes tamanhos e formatos. Como o chinlone, mistura de dança e jogo coletivo praticado em Mianmar, em que uma bola de bambu é tocada entre seis pessoas em círculo e outra no centro da roda. Ou o Sepak Takraw, espécie de futevôlei acrobático bastante comum na Malásia e já difundido no Pará. Estes e outros esportes influenciaram na criação dos equipamentos e regras da nova modalidade. Que é oficialmente organizada pela Associação Brasileira de Footsack, criada por Nascimento e presidida por José Manuel Kantek Júnior. A entidade já encaminhou regras e regulamentos ao Ministério dos Esportes e aguarda o reconhecimento oficial da modalidade.
Que começa a ganhar espaço em escolas curitibanas e será levado à capital paulista nos próximos meses, com a fundação da associação local do esporte. ''Já temos representantes em vários estados, como Rio Grande do Sul, Bahia, Amazonas, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Distrito Federal'', destaca Nascimento, que criou também uma empresa para comercializar o material esportivo - conseguiu inclusive licenciar os produtos com alguns dos principais clubes de futebol, que estampam suas marcas nas bolas. ''Também criamos uma associação de crocheteiras, que ganharam uma fonte de renda extra produzindo as bolinhas, que são preenchiadas com material reciclado'', complementa.
O próximo passo para conquistar novos adeptos é a realização, na segunda quinzena de junho, de um campeonato de demonstração no Parque Barigui, mesmo local onde alguns praticantes do esporte reúnem-se aos domingos. ''Sempre convidamos as pessoas que estão no parque a participar. Muitas vezes as pessoas começam tímidas, mas logo começam a gostar do jogo, mesmo as meninas, que acham que por ser jogado com os pés ele é parecido com o futebol'', destaca Nascimento.

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