Novatas da ginástica brigam para ir a Pequim
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sábado, 08 de março de 2008
Glenda Carqueijo<br> Agência Estado 
São Paulo - Ethiene Franco, Milena Miranda e Juliana Santos são três das nove candidatas que sonham em integrar a equipe brasileira de ginástica artística, que levará seis atletas à Olimpíada de Pequim, em agosto. Nem mesmo as estrelas como Jade Barbosa e Daiane dos Santos estão garantidas no time. ''Na seleção não tem titulares. Todas têm chance de fazer parte da equipe que vai à China'', garante Eliane Martins, supervisora de seleções da Confederação Brasileira de Ginástica.
A lista oficial só sai na véspera da abertura dos Jogos. Até lá, as nove serão testadas. Das cinco etapas da Copa do Mundo que serão realizadas neste semestre, o Brasil competirá em pelo menos duas: Cottbus, na Alemanha, em abril; e em Moscou, em maio. Ainda haverá o Campeonato Brasileiro, em Manaus, de 13 a 15 de junho, e um torneio na Itália, também em junho, com as potências Romênia e Itália. Depois, a equipe viaja para o Japão para adaptação de fuso horário até os Jogos.
Para a aclimatação no Japão, Eliane quer levar uma sétima ginasta. Não descarta levar mais duas extras. ''A equipe só vai ser definida 24 horas antes da entrada na Vila Olímpica'', afirma a dirigente.
No Mundial de Stuttgart, no ano passado, por exemplo, o Brasil tinha o direito a levar uma reserva. A gaúcha Juliana embarcou com a equipe, mas sofreu uma lesão na panturrilha durante um torneio na Grã-Bretanha, dias antes da estréia na Alemanha, e voltou ao Brasil. Ethiene Franco foi a substituta.
As novatas Ethiene, Milena e Juliana não disputaram os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, no ano passado, no qual as ginastas conquistaram a prata por equipes. Mas todas estavam lá prontas para entrar na equipe se precisasse. Das três, a paulista de olhinhos puxados Milena, de 16 anos, é a atleta com menos competições no currículo. ''Ela está com uma lesão no joelho'', afirma Eliane.
A mais completa
A paranaense Ethiene, de 15 anos, é campeã brasileira juvenil no individual geral - compete em todos os aparelhos (solo, salto, paralelas e trave). Das novatas, é a mais completa. ''Se precisar substituir alguma atleta em qualquer aparelho, ela está pronta'', afirma Eliane. Além da boa técnica, outra característica chama a atenção da dirigente. ''Ela compete bem, porque é segura, equilibrada. Não se abala.''
Embora não seja considerada um talento nato para modalidade, Ethiene é esforçada. ''Ela não é tão talentosa como a Jade. Mas é muito regular.'' As duas se juntam às ginastas Khiuani Dias e Ana Cláudia Trindade como as atletas mais jovens da equipe permanente. A mais velha é Daiane, com 25 anos.
Juliana é a mais experiente entre as novatas. Tem 17 anos e bagagem internacional - competiu no Mundial da Aarhus, na Dinamarca, em 2006, além de etapas da Copa do Mundo. Suas provas principais são a trave e as paralelas. ''As competições internacionais me deram mais segurança'', diz Juliana, que só pensa na Olimpíada. ''Estou treinando pra isso'', completa.
Enquanto o mistério não acaba, as nove ginastas treinam juntas em Curitiba. E correm atrás de melhores condições técnicas, físicas e psicológicas. Neste esporte de alto impacto, nenhuma atleta está livre de lesões. Juliana, por exemplo, caiu das paralelas e abriu o supercílio direito: ''Tomei cinco pontos'', conta.
Com dores de cabeça, ela ainda não conseguiu voltar aos treinos. Situações como essa podem atrapalhar as garotas na preparação para Pequim. ''Muita coisa pode acontecer até lá'', alerta Eliane.


