Quatro equipes que estrearão na mais nova categoria do automobilismo brasileiro – a Super Clio – estão desde ontem treinando e testando os seus carros no Autódromo Ayrton Senna, em Londrina. A categoria, que era para ter tido sua prova inaugural na primeira etapa do Renault Speed Show, em março, em Curitiba, adiou para este mês a estréia nas pistas.
  Ela será conhecida pelo público nos próximos dias 13 e 14, no Autódromo de Campo Grande, quando também está prevista etapa dupla da F-Renault e da Copa Clio.
  O Super Clio é uma adaptação total do Clio de rua para um carro de corrida, que ficou com a cara de um Stock Car. O carro, mais curto que o Astra e com um motor menor (um 2.0 16V do Scénic montado na parte traseira), desenvolve velocidade igual a de um Stock Light V8 (máxima de 240 km/h), andando até mais rápido que o concorrente da GM na pista de Londrina. ‘‘Estamos virando aqui na casa de 1min24s, enquanto os carros da Stock Light fazem 1min25s’’, afirmou o piloto curitibano Tarso Marques, que corre na Stock V8 e estava ontem na cidade na condição de co-promotor da Super Clio.
  Ele informou que a categoria foi concebida por sua empresa, a Marques Motorsports, que também ficou responsável pela construção e manutenção dos carros. Depois de adaptados, os veículos são vendidos para as equipes (são 15 até o momento), que terão um gasto aproximado de R$ 250 mil por temporada. ‘‘A categoria tem tudo para emplacar, pois os carros são tão rápidos quanto um Stock, porém mais baratos. Um Stock Light, por exemplo, exige da equipe uns R$ 450 mil por temporada, enquanto na Super Clio o custo será a metade’’, comparou.
  Por enquanto, a Stock Light é mais procurada que a Super Clio, pois tem de 30 a 33 carros por etapa, enquanto a categoria da Renault será limitada a 20 carros e terá apenas 15 nesta etapa de Campo Grande. Marques garante que o conceito do Super Clio é totalmente inovador. ‘‘É um carro com distância de entre-eixos maior que do Clio, para ter mais estabilidade, e melhor de curva e de freio que um Stock. E anda igual, mas com um motor com 110 cv a menos que um Stock, que desenvolve 350 cv’’, apontou.
  Apesar das comparações, Marques nega que o objetivo seja concorrer com a Stock ou colocar os Clio para correrem com um motor V8 junto com os Astra, Mitsubishi e Bora. ‘‘A Renault, que é nossa parceira neste projeto junto com a empresa PPD (de Pedro Paulo Diniz) quer ter a categoria dela. Pode até ter carros mais potentes, colocando nesse Clio um motor V6 do Megane, mas sempre mantendo itens da própria montadora’’, enfatizou.
  O gaúcho João Campos, 51 anos, pentacampeão brasileiro de Pickup Racing, é um dos que irão acelerar na Super Clio. ‘‘É um carro muito rápido que nada tem a ver com um Clio. Como é quase um fórmula, pesa 800 quilos, contra 960 do Clio normal, que mantém muitos itens de série’’, comentou.

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