Porto Alegre - Quatro garotos bons de bola estão ajudando a mudar a imagem do futebol do Rio Grande do Sul. Com habilidade e criatividade, Anderson, Alexandre Pato, Lucas e Carlos Eduardo - o primeiro convocado para a Copa América e os outros três para o Mundial Sub-20 - mostram que nem tudo no futebol gaúcho é força, suor e vigor físico - as marcas tradicionais do estilo de jogo do Estado.
As histórias de batalhas disputadas em campos lamacentos passam de geração para geração no Rio Grande do Sul. Por isso não deixa de surpreender que de alguns anos para cá estejam surgindo jogadores de fino trato com a bola. E isso é muito bom para os clubes, que podem reforçar seus cofres vendendo-os por muito dinheiro para o futebol europeu - o Grêmio acabou de negociar Lucas com o Liverpool por Ç 12 milhões (R$ 30,6 milhões).
Garotos talentosos existem aos montes pelo Brasil. O que faz com que venham brotando nos clubes gaúchos é uma mudança na mentalidade dos responsáveis pelas categorias de base da dupla Grêmio e Inter.
Quem explica é um especialista no assunto: o técnico da seleção Sub-20 Nelson Rodrigues, que trabalha garimpando jovens jogadores para a CBF desde 2001. ''Não é de hoje que Grêmio e Inter têm procurado garotos com um perfil mais técnico, deixando um pouco de lado os meninos de melhor porte físico. Isso explica o surgimento de jogadores como o Pato e o Anderson, por exemplo.''
No futebol de hoje, em que os jogadores saem cada vez mais novos do Brasil, revelar garotos que tenham características que deixam os europeus de boca aberta é certeza de dinheiro em caixa. Que o diga o Inter, que com certeza vai faturar muito quando vender Alexandre Pato, a pérola mais preciosa que produziu em muito tempo. O dinheiro das vendas não só ajuda a equilibrar as contas, mas também a investir na estrutura das categorias de base. E quanto melhor o trabalho nas categorias inferiores, maior a chance de novos ''Patos''.
''O trabalho nas categorias de base do Inter é muito bem feito. É só ver que nos últimos anos o clube revelou jogadores como Nilmar e o Rafael Sóbis'', diz Pato.
O garoto de ouro do Colorado lembrou bem de dois outros produtos das escolinhas do clube. E, voltando mais um pouco no tempo, não custa lembrar que Ronaldinho Gaúcho apareceu com o brilho de um cometa no Grêmio de 1999. Deitou e rolou em cima de Dunga, então volante do Inter, na final do Campeonato Gaúcho daquele ano e estreou na seleção principal com gol de placa diante da Venezuela na Copa América.

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