São Paulo - O ano de 2009 promete ser de virada para o basquete brasileiro com a realização do primeiro campeonato organizado por uma liga de clubes com a chancela da Confederação Brasileira de Basquete (CBB). Pode ser o pontapé inicial da revitalização do esporte, alquebrado pela ausência do time masculino nas últimas três Olimpíadas e as brigas entre o presidente Gerasime Grego Bosikis e os dirigentes das equipes. Mas o sucesso da iniciativa está nas mãos de uma delicada negociação entre o staff da Liga e as emissoras de TV interessadas em transmitir o torneio.
Para que se compreenda a situação é necessário voltar no tempo. O ano de 2005 marcou o primeiro racha entre a CBB e os clubes. Liderados pelo ex-jogador Oscar, foi criada uma liga, que organizou um campeonato paralelo - a Nossa Liga de Basquete (NLB). A primeira temporada foi disputada, mas a iniciativa não prosperou. Vários clubes ''rebeldes'' decidiram não participar da edição seguinte e voltaram a disputar do Nacional promovido pela CBB.
O descontentamento, no entanto, não terminou. Este ano, por exemplo, os principais clubes de São Paulo decidiram ficar de fora do Nacional, alegando que seria mais rentável ''esticar'' o Campeonato Paulista do que bancar do bolso as despesas do Nacional. A competição da CBB foi disputada sem os paulistas e transmitida pela SporTV, que já acertou os direitos da transmissão do campeonato do ano que vem.
É aí que a coisa fica complexa. Para fazer um campeonato com a chancela da CBB em 2009, a Liga terá de renegociar o contrato vigente entre entidade máxima do basquete brasileiro e a SporTV. Os clubes querem uma renegociação com valores mais altos - alegam que quando a CBB assinou o acordo, boa parte dos clubes da Liga atual estava fora do Nacional. Além disso, vários equipes são favoráveis ao fim da exclusividade na TV. A ESPN Brasil e a Bandsports já sinalizaram interesse na transmissão.
O presidente da Liga, Kouros Monadjemi, é cauteloso quando o assunto é o acordo da TV. Deixa claro que a última coisa que deseja fazer é declarar uma guerra com a SporTV, mas admite que o contrato atual não agrada os integrantes da Liga. ''Não queremos peitar ninguém'', diz o ex-presidente do Minas Tênis, que ainda cultiva bom relacionamento com a CBB e espera conseguir ''costurar'' o acordo entre a entidade, a Liga, e as TVs. O objetivo é acertar tudo amigavelmente e manter o que faz da Liga atual mais forte as anteriores: a união de clubes que já estiveram de lados opostos politicamente.
A Liga está em fase de oficialização. ''Esperamos que até o fim do mês toda a parte burocrática, como registro e CNPJ esteja resolvida'', diz Kouros. Mas o grupo não está parado. Enquanto uma parte negocia com as TVs, outra planeja o formato do campeonato e detalhes como tabela, bolas, arbitragem. ''Vai ter 16 ou 18 clubes. Isso deverá ser definido em breve'', afirma o dirigente.
A Liga Nacional de Basquete (LNB) conta com os seguintes clubes: Flamengo, Nova Iguaçu, Universo/Brasília, Minas, Uberlândia, Joinville, Salvador-BA, Londrina, Pinheiros, Paulistano, São José-SP, Bauru, Araraquara, Rio Claro, Franca, Assis, Limeira, Lajeado-SC, Cetaf-ES e Saldanha da Gama-ES.

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