Nova geração vence GP e atinge feitos
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domingo, 10 de setembro de 2006
Folhapress 
São Paulo - Após o fracasso na Olimpíada de Atenas-2004, o técnico José Roberto Guimarães decidiu reformular a seleção feminina. Barrou algumas jogadoras da geração anterior, mesclou a experiência e o talento de nomes como Fofão, 36 anos, que só se apresentou em 2006, e Walewska, 26, com novatas que ainda despontavam, como Sheilla, 23.
Disse que seria necessária paciência. O time renovado demoraria a dar resultado, e ele e as jogadoras deveriam estar prontos para aguentar pressão.
Para quem assistiu a Brasil x Rússia, ontem, e a todo o Grand Prix de vôlei deste ano, a sentença pessimista soa estranha. Com a lista de feitos desta geração, chega-se à conclusão de que Zé Roberto foi ''atropelado'' por sua própria criação.
A equipe conseguiu ontem se recuperar após uma pequena pane, impôs à Rússia 3 sets a 1 (25/20, 25/20, 23/25 e 25/17) e conquistou o hexacampeonato. Já seria um grande feito. Mas o time ainda fez história ao chegar à decisão invicto e, pela primeira vez, somar três troféus seguidos, a maior hegemonia já obtida por um país no torneio.
As jogadoras receberam US$ 200 mil (R$ 440 mil) como prêmio, 20% do cheque embolsado pela seleção seis vezes campeã da Liga Mundial, a versão masculina do Grand Prix. ''Nós nos dedicamos muito nesta competição e provamos que merecíamos estar nesta final'', disse a ponta Jaqueline.
Sheilla, a esguia jogadora que não esteve nos Jogos de Atenas, anotou 22 pontos na final, seis deles em saques que infernizaram a recepção das russas. Pelas atuações perfeitas, levou o prêmio de melhor jogadora da competição. ''Se eu ganhei esse prêmio foi por causa das minhas companheiras. O nosso objetivo maior neste ano é o Mundial (em outubro), vamos buscar este título inédito'', declarou Sheilla.
Muito deste troféu a oposto deve a Fofão. A levantadora que amargou durante sete anos a reserva de Fernanda Venturini e chegou a anunciar a aposentadoria da seleção em 2004, foi um dos principais destaques da campanha invicta. Capitã de poucas palavras, ela conseguiu criar uma liderança sólida dentro e fora de quadra. Com boa variação de jogadas, fez da versatilidade uma das mais fortes características do ataque brasileiro. A meio-de-rede Fabiana, por exemplo, foi eleita a melhor atacante do GP, prêmio que geralmente fica com pontas ou opostos, principais alvos das bolas das levantadoras.
Contra Rússia, a seleção sofreu principalmente nos momentos em que Fofão não recebeu passes precisos para poder trabalhar. ''O nosso passe oscilou bastante, começamos tensas e ele não chegou redondo na mão da Fofão'', declarou Jaqueline.


