São Paulo, 29 (AE) - A nova bola da Penalty, que está sendo utilizada no Torneio Rio-São Paulo e no Campeonato Paulista e esteve presente também na Copa São Paulo de Juniores, está causando grande polêmica entre os jogadores. Muitos alegam que o modelo lançado pela empresa é muito leve e a trajetória altera-se subitamente nos chutes de longa distância. "A bola é horrível", ataca o meia corintiano Marcelinho Carioca.
Ele conta que costuma estudar todos os detalhes da bola para facilitar suas cobranças de falta e de pênalti. Com a nova bola, Marcelinho sente-se desestimulado a arriscar as cobranças. A nova bola não pega tanto efeito quanto a antiga e, segundo Marcelinho, é muito leve, e tende a subir quando chutada com força. "·s vezes parece uma bola de basquete, é ruim para o domínio e os chutes", diz o meia. Marcelinho Carioca afirma que até para a cobrança de pênalti há dificuldade com essa bola.
Cautela No jogo contra o São Paulo, ele tomou muito cuidado para cobrar o pênalti, que deu origem ao gol de empate do Corinthians na partida. "Se eu chutasse com força, com certeza a bola iria subir e, provavelmente, sairia por cima do gol; por isso chutei devagar", lembra. O goleiro Nei também reprovou a bola. Ele até atribuiu parte da culpa no segundo gol do São Paulo, quase no fim da partida, aos defeitos da bola.
No lance do segundo gol do São Paulo, Nei não conseguiu fazer a defesa no chute de Reinaldo, soltando a bola, permitindo que Belletti completasse para o gol. "Reconheço que tive parte de culpa no gol, porque tentei desviar a bola para escanteio e não consegui", explica Nei. "Mas a bola atrapalhou, porque ela não dá firmeza e vem toda esquisita."
O técnico Osvaldo Oliveira concorda com seus jogadores. Ele também não aprovou a bola Penalty. O treinador faz até um pedido para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). "O ideal seria disputar todas as competiçäes do futebol brasileiro com um tipo de bola da melhor qualidade", diz. "Não deveria ser mudada a cada competição."
No Palmeiras, o goleiro Marcos pretende passar horas treinando para pegar os "macetes" da nova bola. "Nos chutes de longa distância, a trajetória da bola muda muito rápido", conta Marcos. O meia Jackson, recém-chegado ao eixo Rio-São Paulo, evita entrar em assunto delicado. Mas concorda com seus colegas: "A bola é muito ruim."
A polêmica chegou até o Rio. O goleiro Adílson, do Fluminense, reconhece que vem tendo muitas dificuldades para se acostumar à nova bola. "Quem aprovou esta bola nunca jogou futebol na vida", ataca Adílson. "Não há a menor condição de jogar com uma bola assim."

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