Nos pênaltis, Itália conquista o tetracampeonato
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domingo, 09 de julho de 2006
Thiago Barros Ribeiro<br> Folhapress 
São Paulo - Demorou 24 anos, mas, enfim, os italianos podem novamente soltar o grito de campeão mundial de futebol. Na final da Copa do Mundo de 2006, em Berlim, hoje, a Itália venceu a França por 5 a 3 nos pênaltis, depois de um 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e se tornou a segunda seleção do mundo a conseguir quatro títulos mundiais.
Esta foi a primeira vez em que a Itália conseguiu sair vencedora de uma decisão por pênaltis numa Copa do Mundo. A seleção acumulava uma série de três eliminações neste tipo de disputa: 1990, contra a Argentina, 1994, diante do Brasil e 1998, para a própria França. Nada melhor que um dia especial como o de hoje para superar um tabu tão indigesto.
O jogo mais importante do futebol italiano desde 1982 começou muito movimentado e, antes dos 20 minutos, já estava empatado em 1 a 1. Com um pênalti discutível, aos 7 minutos, Zidane, cheio de categoria, abriu o placar e se tornou o quarto jogador a marcar gols em duas finais de Copas - os outros são Vavá, Pelé e o alemão Breitner. Aos 19min, o mesmo Materazzi que participara do lance do pênalti, aproveitou um escanteio para empatar, com uma potente cabeçada, e definir o placar do primeiro tempo.
A França criou as melhores jogadas da etapa final, enquanto a Itália ameaçou apenas em cruzamentos à área. O gol, contudo, não saiu e o jogo seguiu à prorrogação, em que os franceses continuaram mais próximos de marcar, mas não conseguiram e acabaram decidindo o título com os italianos nos pênaltis.
Nas cobranças, Pirlo fez o primeiro da Itália e Wiltord empatou. Em seguida, Materazzi fez e Trezeguet mandou no travessão, desixando a Itália na frente. De Rossi e Abidal aproveitaram seus tiros, assim como Del Piero e Sagnol. No pênalti decisivo, Grosso bateu bem, no canto esquerdo de Barthez e deu o tetra aos italianos.
Com o triunfo, a Itália iguala o feito do Brasil em 1994, quando, após um jejum de 24 anos, a seleção de Carlos Alberto Parreira superou a própria Itália na final, redimindo-se do fiasco de quatro anos antes, quando fora eliminada nas oitavas-de-final, pela Argentina. Exatamente como a Itália, que, em 2002, sucumbiu, na mesma fase, diante da Coréia do Sul.
Mais do que isso, a conquista acaba por dar razão àqueles que, antes do início do Mundial, usavam a Copa de 1982, em que os italianos conquistaram o tri, para motivar a Azzurra. Entre outras semelhanças, assim como naquele ano a delegação italiana chegou à Alemanha em meio a um ambiente conturbado por um escândalo interno de manipulação de resultados em seu campeonato nacional.
No banco italiano, Marcello Lippi entrou definitivamente para a história do futebol, tornando-se o primeiro treinador a ser campeão mundial por um clube -Juventus, em 1996- e por uma seleção.
Agora, a Itália só enxerga o pentacampeão Brasil à sua frente em número de conquistas, ultrapassando a tricampeã Alemanha, os bicampeões Argentina e Uruguai, e França e Inglaterra, que ganharam uma Copa do Mundo cada uma.
Do lado derrotado, a França não conseguiu repetir, fora de casa, o feito de oito anos atrás, quando venceu um Mundial pela única vez. Entre os remanescentes daquela conquista, Zidane, o mais famoso e talentoso atleta francês, despediu-se dos gramados sem a glória que desejava. Ao contrário, foi expulso aos 5min do segundo tempo da prorrogação, após cabeçada em Materazzi.
ITÁLIA 1 (5)
Buffon; Zambrotta, Materazzi, Cannavaro e Grosso; Perrotta (Iaquinta), Gattuso, Pirlo e Camoranesi (Del Piero); Totti (De Rossi) e Luca Toni. Técnico: Marcello Lippi.
FRANÇA 1 (3)
Barthez; Sagnol, Thuram, Gallas e Abidal; Makelele, Vieira (Diarra), Malouda, Zidane e Ribéry (Trezeguet); Henry (Wiltord).
Técnico: Raymond Domenech.
Árbitro: Horácio Elizondo (ARG)
Estádio: Olímpico, em Berlim
Gols: Zidane aos 7 minutos e Materazzi aos 19 do 1º tempo
Expulsão: Zidane (FRA)


