São Paulo - Três meses depois de se transferir para o Al Ain, dos Emirados Árabes, o meia Valdivia mantém ligação com o Palmeiras. Conversa eventualmente com alguns dos ex-companheiros e conta, nesta entrevista, que tenta acompanhar os jogos do clube pela televisão.
Diz ainda que não tem interesse em voltar ao Brasil para jogar em outro clube, apesar dos comentários de que o São Paulo teria interesse em sua contratação. ''O Palmeiras é meu time de coração'', diz. ''E espero um dia voltar.''
Agência Estado - Como está sua vida nos Emirados Árabes?
Valdivia - Ótima! Aqui é um sossego. Não tem gente nas ruas. Al Ain é pequena, mas tem tudo o que preciso. E é segura. Nem me preocupo em fechar o carro.
AE - O campeonato é bom?
Valdivia - Não é ruim, não. Tem quatro ou cinco times interessantes, com jogadores de qualidade. Claro que não é Brasil ou Europa, mas não é o nível baixo como as pessoas imaginam.
AE - Vai passar os quatro anos de contrato aí ou quer sair logo?
Valdivia - Não posso dizer o que vai ser daqui a quatro anos. Talvez fique, talvez não. Achava que ia ficar muito mais tempo no Palmeiras e acabei saindo antes. Mas claro que ainda há a possibilidade de jogar na Europa. Sou jovem ainda (25 anos).
AE - E é possível voltar ao Brasil? É verdade que existe uma cláusula em seu contrato que dá preferência ao Palmeiras?
Valdivia - Fiz muita amizade e quero voltar. E existe a cláusula de preferência ao Palmeiras. Mas mesmo se não tivesse o primeiro time em que desejaria jogar é o Verdão, óbvio.
AE - Aqui há quem diga que você ainda jogará no São Paulo. É verdade?
Valdivia - Não, nada disso é certo, até porque ninguém me procurou. E as pessoas do São Paulo sempre falam que não gostam de mim. A única pessoa que fala que queria me ver no São Paulo é o diretor lá, esqueci o nome (Valdivia se refere a Marco Aurélio Cunha, superintendente de futebol). O São Paulo é grande, mas eu sou Palmeiras e é aí que quero voltar a jogar. É a minha casa.
AE - Você tem acompanhado o time de longe? Os jogos passam na TV?
Valdivia - Assinei a Globo Internacional, e quando passam os jogos eu não durmo para acompanhar o meu Verdão. Além disso, estou sempre ligado na internet.
AE - Tem falado com os ex-colegas?
Valdivia - Falo com Alex Mineiro e Bruno (goleiro reserva). A diferença de horário é ruim. São seis horas a mais, então fica difícil.
AE - A chance é remota, mas se o time for campeão você também se sentirá campeão brasileiro?
Valdivia - Gostaria muito que o time fosse campeão, porque deixei muitos amigos lá dentro, não só atletas, mas também os roupeiros, o Anselmo (Sbraggia, preparador físico), o pessoal da secretaria do clube. E no elenco tem muito jogador que merece, principalmente o Marcos, o grande ídolo do Palmeiras e, pra mim, intocável. E se o Palmeiras for campeão eu serei também: fui parte do elenco, joguei, fiz gol.
AE - O que representa o Palmeiras na sua carreira?
Valdivia - Tudo! É meu time do coração, o que me projetou mundialmente. Agradeço aos que confiaram em mim, como o senhor Palaia (diretor de futebol que o contratou, em 2006), Tite, Caio Júnior, que foi quem mais me ajudou e devo muito a ele. Guardo o Palmeiras no meu coração.
AE - Então aproveite e deixe um recado aos atletas e aos torcedores.
Valdivia - Quero deixar um abraço para Marcos, Bruno, Martinez, Pierre, Alex Mineiro, Kléber, aqueles com quem tive bons momentos e são pessoas de coração grande. E para os torcedores, só palavras de agradecimento. Obrigado por tudo. Fico feliz que se lembrem de mim. Posso não estar aí presente, mas meu coração está. E espero um dia voltar.

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