Nos braços
de Morfeu
Ninguém definiu melhor o jogo Brasil x Colômbia, de Bogotá, do que o jornal esportivo argentino ‘‘Ol钒, que resumiu a partida em breve correspondência com o seguinte título: ‘‘Mi querido empate!’’ É título de tango. Eu, por mim, tive, naquela noite, a sensação de ter descoberto a cura da insônia. Faltavam 15 minutos pro final e eu já ressonava, na poltrona da sala. Quando acordei, já rolava o segundo bloco do jornal da minha querida amiga Lilian Wite Fibbe.
O jogo do Brasil
foi tão monótono
quanto uma partida
de críquete no
subúrbio de Londres
Falo, friamente, pensando no espetáculo que me pareceu tão monótono quanto uma febril partida de críquete no subúrbio de Londres. As duas seleções como que fizeram uma combinação, por telepatia: nem eu vou à sua área, nem você vem à minha. Claro que há ressalvas a fazer: Wanderley montou a equipe em cima da perna. Prova-o, sobejamente, a escalação de Jardel. Sabe como é? De repente, pinga do alto uma bola na área, o Jardel acerta uma cabeçada: gol do Brasil. Mas achei fora de propósito. Jardel é recurso de fim de jogo. Está mais pra coadjuvante que pra protagonista.
Houve, ainda, desafavores que pesaram. O maior deles, sem dúvida, foi a ausência de Rivaldo. O futebol brasileiro, mais que o europeu, não pode prescindir do talento e do individualismo. Um craque como Rivaldo é capaz de salvar uma equipe e um espetáculo, sozinho: ele e a bola. É justamente nesse aspecto que vejo a grande diferença entre a escola européia e a brasileira: o jogador europeu depende do esquema de jogo; o brasileiro, naturalmente, o craque, só depende da bola.
Entre os fatores incômodos do jogo de Bogotá, deve constar, sem dúvida, a altitude. Por sinal que, dessa vez, ninguém se beneficiou da rarefação do ar, pois a maioria dos jogadores colombianos joga noutros países, ao nível do mar. Portanto, todos sofreram as mesmas limitações fisiológicas. O fenômeno é demais conhecido: quem vive acima de dois mil metros tem um poder de oxigenação entre 10 e 20 por cento maior. A taxa de glóbulos vermelhos de quem vive nas alturas é bem mais elevada. Quem chega a Bogotá ou a La Paz sente o déficit de oxigênio até no simples gesto de atravessar uma rua a passos largos. E ninguém se dá conta de outro transtorno fisiológico que é a perda de líquido. Como precisa respirar mais acelerado, o jogador acaba expelindo, na expiração, vapores d’água essenciais à hidratação do corpo.
Por tantas razões, o empate foi uma benção. Mas que deu sono, ah como deu!
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Uma coisa surpreende, no bate-boca entre Romário e Edmundo: é o traço de humor que suaviza a maledicência. A tirada de Edmundo, chamando, ironicamente, o outro de príncipe, deu uma certa nobreza à polêmica. Agora, Romário dá o troco, referindo-se a Edmundo como o bobo da corte. Na fábula de realeza vascaína, até que pegou bem a sacada de Romário. O perigo de cair o nível é quando o vice-rei resolver entrar em cena com sua grotesca linguagem parlamentar.
- Aviso do professor De Rose, médico do mais alto conceito olímpico: quebrará a cara o atleta que aparecer em qualquer competição de Sydney ‘‘inflado’’ de nandrolona. O exame antidoping já conseguiu detectar o tal esteróide em mais de 400 atletas, em todo mundo. Fogo, mesmo, vai ser pegar atleta ‘‘infiltrado’’ de EPO e de hormônio do crescimento.
- Fiquei todo prosa ao saber que, na cobertura dos Jogos Olímpicos de Sydney, terei a meu lado, em ilustre mesa-redonda, Paula, a diva do basquete e Fernanda Venturini, a estrelíssima do vôlei. Estarei, literalmente, em boas mãos. As duas já estão contratadas pelo Sportv, de cuja equipe terei o prazer de participar, durante os Jogos.
- Acaba de assumir o conselho do INCAER (Instituto Histórico e Cultural da Aeronáutica) o comandante Rolim, da TAM. Também eu conselheiro do INCAER, agora, tenho mais chance de conhecer o museu aeronáutico particular do comandante Rolim, que é apaixonado por aviões clássicos.
- Aí em cima, falei de substâncias dopantes, contidas em suplementos vitamínicos. Pra não cometer vacilo, o nadador Gustavo Borges, legenda da natação brasileira, não toma uma vitamina sem antes telefonar pro doutor Eduardo De Rose.
- A seleção da Argentina começou, melhor que todas, a maratona das eliminatórias sul-americanas. Sapecou 4 a 1 no Chile, jogando um futebol mais consistente que brilhante. Tem ‘‘punch’’ a seleção argentina. É bem verdade que jogou em casa.
- Chega-me quase uma centena de emails, felicitando-me pelo sucesso da cirurgia a que fui submetido. Gratíssimo por tanta manifestação de apreço e de ternura.
- Lulli, que foi minha primeira parceira no Esporte Real, do Sportv, esteve no Brasil, por uma semana. Mora em Miami, onde está produzindo o programa que Fernando Scherer vai apresentar na Globosat. Lulli é uma das belezas mais imperiais que já apareceu na tevê esportiva brasileira. A PSN, novo canal a cabo, convidou-a a trabalhar no vídeo, falando de lá de Miami. Que seja pra já. Quem não tem saudades dos cabelos fogosos de Lulli?
- Phil Jackson, do basquete da NBA, é um dos profissionais que mais admiro no esporte. Tenho lido seus livros, nos quais ele sempre vai além das táticas. Jackson é um filósofo, de formação zen, com iniciação espiritual no misticismo nativo americano. Pois é com seu poder de persuasão que Phil Jackson tem feito milagres na equipe do Lakers, de Los Angeles. Shaquille O’Neal, estrela da equipe, diz que seu basquete evoluiu muito depois que, por sugestão de Jackson, passou a ler Nietzsche, com quem estaria aprendendo que a vontade de poder eleva o homem à categoria de Super-homem.

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