Johannesburgo - Os jogadores da Coreia do Norte falam pouco. E sempre que falam dizem ser possível vencer o Brasil. É difícil concluir se de fato acreditam nas próprias palavras, de tão fechados que são. Mas é fácil perceber que falar em vitória é obrigação para um grupo formado em sua maioria por jogadores ligados ao Exército de uma das ditaduras mais ferrenhas do planeta. Atletas que têm no futebol praticamente uma atividade de lazer, pois a maioria ganha a vida como funcionário público do governo de Kim Jong-Il.
Líder, aliás, reverenciado ontem pelo técnico Kim Jong-Hun. ''Vamos deixá-lo orgulhoso e ao nosso povo'', disse Hun. A rigor, somente três jogadores norte-coreanos são profissionais. A estrela do time, o atacante Jong Tae-Se, o ''Rooney asiático'', e o meia An Yong-Hak, que jogam no Japão, e Hong Yong-Jo, atualmente no futebol russo.
Agora, porém, parecem estar sendo tratados quase como heróis, que têm a obrigação de honrar a pátria, como fizeram os jogadores que representaram a Coreia do Norte na Copa do Mundo de 1966. Na Inglaterra, 44 anos atrás, os asiáticos foram responsáveis por uma das maiores, senão a maior, zebra da história dos Mundiais ao vencerem a Itália por 1 a 0 e só foram parados por Portugal nas quartas de final, ao perderem por 5 a 3 uma partida que chegaram a estar vencendo por 3 a 0. (A.E.)

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