Norte-americanos sonham em organizar torneios no Brasil
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Émerson Couto 
São Paulo, 23 (AE) - Depois de descobrir o grande potencial do futebol brasileiro, os investidores norte-americanos, respaldados pela Lei Pelé, sonham alto. As parcerias com os grandes clubes, como a da Hicks Muse Tate & Furst com o Corinthians e, provavelmente, o Cruzeiro são apenas o passo inicial de um projeto mais ambicioso. Em um futuro próximo, esses grandes grupos devem organizar competições no País. Se o governo federal deixar, é claro.
"Esta é a solução para o futebol brasileiro, que, hoje, está nas mãos de amadores", justifica o empresário J. Hawilla, dono da Traffic, empresa de marketing esportivo que presta consultoria para três grupos de investidores dos Estados Unidos - Hicks Muse, Advent International (de olho no São Paulo e Grêmio) e outro não revelado. "Estes grupos e outros, como a ISL (parceira do Flamengo) e o NationsBank of America (aliado do Vasco), devem e podem organizar o nosso futebol de forma profissional", emenda o dirigente.
A idéia de formação de uma liga, nos moldes da NBA e organizada pelos norte-americanos, é bastante forte. Eles pretendem reunir de 10 a 12 equipes e o primeiro passo é ter o controle desses grandes clubes. Segundo Hawilla, os investidores trabalham com um prazo de cinco anos para uma organização total do esporte no País.
Além dos clubes, a rede começa a fechar-se. A mesma Hicks Muse
do Corinthians e Cruzeiro, comprou, recentemente, 49% do controle da Traffic. A empresa de J. Hawilla, por sua vez, assumira o departamento de esportes da Rede Bandeirantes até o ano 2003 e tem bastante know-how na organização de campeonatos. Contratada pela Confederação Sul-Americana de Futebol, a Traffic é responsável pela promoção dos principais campeonatos do continente, como a Copa América e a Copa Mercosul.
Medo - Os norte-americanos, no entanto, estão encontrando forte obstáculo - o governo federal. O ministro dos Esportes, Raphael Grecca, quer impedir, por meio de uma alteração na Lei Pelé, que clubes que disputem uma mesma competição sejam gerenciados pelo mesmo grupo de investidores. Grecca teme a formação de trustes ou cartéis no futebol brasileiro. "É lógico que os investidores, cientes da intenção do governo, têm medo que haja mudanças", afirma Hawilla.
O dirigente acredita, porém, que o governo não terá sucesso na empreitada. "Acho que não haverá mudanças nesse sentido", diz. Para Hawilla, o maior temor que existe, atualmente, é quanto a uma possível manipulação de resultados dos jogos. "Para quem está querendo fazer um investimento tão alto em business esportivo, o mais importante é ter seriedade e transparência", garante.
Hawilla assegura ainda que os investidores apenas administrariam a liga, sem fazer com que os clubes perdessem o poder. A idéia de formação de uma liga profissional no futebol brasileiro já foi levantada, no início do ano, pela Pelé Sports & Marketing, em parceria com a Media Partners International e consultoria da Fundação Getúlio Vargas. O projeto, por enquanto, ainda não vingou.


