Nordeste dá abrigo a jogadoras de São Paulo
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Heleni Felippe 
São Paulo, 05 (AE) - Faltou muito pouco para que três jogadoras importantes do basquete brasileiro - Branca, Adriana e Karina - ficassem fora do Campeonato Nacional, que começa segunda-feira, com quatro jogos. As atletas, que sempre atuaram por equipes paulistas, encontraram abrigo em um time do Nordeste
o Sport Club do Recife. As atletas apresentaram-se ao novo clube na quinta-feira. Se ainda estão estranhando o calor, o sotaque, a cultura e até o técnico, o cubano Eduardo Cabrera, já gostam do tratamento de estrelas que receberam e do carinho do público.
"Tivemos uma recepção calorosa e percebemos que o Sport é um clube que tem torcida", observa Adriana, jogadora da seleção brasileira, de 28 anos e 1,80 metro, que ainda está hospedada em um hotel, com Karina e Branca. Adriana contou que a cidade está abarrotada de turistas e o flat em que vão morar pelos próximos dois meses só terá lugar disponível após o carnaval.
A pivô Karina teve de deixar o BCN/Osasco por causa do ranqueamento - não poderia jogar com Paula e Claudinha. A ala Adriana, que ficou sem clube depois que São Bernardo não encontrou patrocinador para substituir a Uniban, já estava arrumando as malas para ir treinar com o time masculino do Flamengo, em que joga o namorado, Vanderlei. A armadora Branca, irmã de Paula, estava sem clube havia oito meses, desde que deixou a extinta Microcamp, de Campinas.
Não só as três, mas outras tantas jogadoras que estavam em equipes paulistas só encontraram trabalho no Recife. O time tem quatro atletas que eram do BCN: Elis, Vanessa e Kattynha, além de Karina. "São nove jogadoras de fora", explica Aloysio Queiroz Monteiro, vice-presidente de Esporte Amador do clube, que mantém 12 times de basquete, masculino e feminino, em várias categorias. "Além do futebol, o clube tem muitas outras modalidades, como vôlei, remo, judô, natação e futsal." O dirigente explicou que queria um time forte, mas, com "o patrocínio minguado", teve de montar uma equipe para defender uma posição honrosa.
Fortificante - Adriana falou dos planos da equipe, que tem um patrocinador que também tem chamado a atenção das jogadoras: Emulsão Scott. "Eu mesma não sabia que era um fortificante", diz Adriana. "A Hortência disse que tomou muito quando era criança." O time, que se vai chamar Sport/Emulsão Scott, quer adquirir entrosamento e ritmo no primeiro turno, fazer uma boa campanha no segundo e ficar entre os quatro semifinalistas. "Os jogos iniciais serão difíceis, mesmo porque vamos enfrentar os três favoritos ao título em sequência", comenta Adriana, que joga fora de São Paulo pela primeira vez na carreira.
"Temos de ter os pés no chão e todos sabem que temos de ganhar ritmo antes de apresentar resultados." O Sport/Emulsão Scott estréia contra o BCN na segunda-feira e joga com a Arcor/Santo André na quarta-feira. Após o carnaval, enfrentará o Paraná Basquete, dia 20. Será nessa partida que a diretora do Paraná, Hortência, vai apresentar à torcida o Ginásio Nei Braga, de São José dos Pinhais, cidade vizinha de Curitiba. "Foi bom o Sport montar um time competitivo", afirmou Hortência.


