Noite iluminada
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terça-feira, 28 de junho de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local
Londrina viveu ontem uma dose de espírito das Olimpíadas com a passagem da tocha que leva o fogo olímpico. Uma festa foi armada no Centro Cívico para receber a tocha, que chegou exatamente às 19 horas, quase uma hora e meia atrasada em relação ao previsto inicialmente pelos organizadores. Pelo menos 300 pessoas aguardavam no local para recepcionar o símbolo dos Jogos. Outras muitas se aglomeraram ao longo do percurso do revezamento para tentar se aproximar.
O primeiro dos 68 condutores eram 65, mas três entraram de última hora foi o gari Edivino Correa, de 49 anos. Bastante emocionado, ele recebeu a chama das mãos de três estudantes de Londrina Ana Lívia Faria, Isadora Enomoto e Jennifer Martiniz que venceram um concurso de redação organizado pelo Ministério do Esporte. "É um momento inesquecível. Não sou eu que estou sendo homenageado, mas toda a cidade de Londrina com um evento como esse", discursou o gari, que também participa de provas de rua na região.
De lá, o revezamento da tocha partiu para um percurso de 13 quilômetros pelas principais ruas da cidade. E a possibilidade de carregar o símbolo olímpico mexeu até mesmo com quem já está acostumado ao clima do evento. Natural de Bandeirantes (Norte Pioneiro), o corredor Edson Luciano Ribeiro, que participou de três edições do maior evento esportivo do mundo e é dono de duas medalhas olímpicas no revezamento 4x100 metros rasos, aproveitou o momento para reviver sua trajetória nas pistas. "É como se eu tivesse nas Olimpíadas novamente. É um momento exclusivo no mundo, naquele trecho, naquele momento é só você, representando o seu país. Já faz um tempo que deixei as pistas e queria muito participar desse momento, por que me senti atleta novamente", contou o ex-atleta, hoje com 43 anos. "O que a gente torce é que realmente fique um legado de tudo isso e que o esporte continue modificando vidas, como aconteceu comigo", continuou.
O revezamento da tocha em Londrina teve também as participações dos londrinenses Giba, ex-jogador de vôlei e campeão olímpico em Atenas-2004 (leia mais no box), e da ex-taekwondista Natália Falavigna, medalha de bronze em Pequim-2008.
Entre os curiosos de plantão teve até quem deixou o time de coração de lado para prestigiar o evento. Torcedor do Londrina, o advogado Alex Adamcvizik trocou o duelo do Tubarão diante do Brasil-RS, que acontecia no mesmo horário, para levar a filha para ver o símbolo olímpico. "A tocha a gente vai ver uma única vez na vida, já o Londrina é mais fácil", justificou. "Vou poder contar para meus filhos que vi a tocha", vibrou Pietra Kalau Adamcvizik, de 11 anos.
Algumas faixas de protesto também acompanharam o revezamento, e tinham como alvo o atual presidente, Michel Temer. A onça Juma, morta após participar da passagem da tocha em Manaus, também foi lembrada.
No Brasil, a tocha, que pesa entre 1 e 1,5 quilo, chegou dia 3 de maio e partiu de Brasília para um trajeto que compreende ao todo 328 cidades, incluindo todas as capitais, até chegar ao Rio de janeiro na véspera da cerimônia de abertura dos Jogos, marcada para o dia 5 de agosto. No total, o fogo olímpico percorrerá 19,7 mil km de rota terrestre e 8,8 mil km de rota aérea.
HISTÓRIA
Como é tradição, a tocha olímpica foi acesa em Olímpia, cidade considerada berço das Olimpíadas. Durante mais de uma semana, ela viajou até chegar em Atenas. De lá veio ao Brasil. A prática moderna de mover a tocha olímpica através de um sistema de revezamento desde a Grécia até a sede dos Jogos começou em Berlim, em 1936.
Segundo criadores da tocha, as cores carregam algumas simbologias. Reveladas com a ativação do gás que acende o fogo, elas remetem a paisagens famosas e símbolos nacionais, como o Calçadão de Copacabana, no Rio de Janeiro. O azul lembra as ondas do mar e o verde as matas, além do amarelo, que representa o sol e o ouro olímpico.