Noite foi silenciosa no hotel do Brasil
Frankfurt - De madrugada, no saguão do Hotel Sheraton Arabella, torcedores brasileiros comiam, bebiam, conversavam e houve até quem jogasse totó. Ninguém parecia disposto a dormir enquanto não se encontrasse a explicação definitiva para o fracasso da seleção, algumas horas antes. No 5º andar, destinado aos jogadores do Brasil, o silêncio era maior, quase tão grande quanto a apatia que já ficara evidente no campo do Estádio de Frankfurt. Cada um teve o seu modo de reagir ao tombo. Em comum, talvez só a perplexidade de quem não tinha se preparado para perder.
O jantar no hotel, assim que chegaram do estádio, representou o último encontro dos 23 jogadores e da comissão técnica. A refeição foi entremeada por conversas sobre o jogo e despedidas daqueles que nem esperaram o dia clarear para voltar às suas casas. Gilberto Silva, um deles, chorava como uma criança ao se despedir de todos. Era o que demonstrava mais abatimento.
Desde o estádio, Adriano, Kaká, Émerson e Robinho, que derramara lágrimas ainda no campo, também eram a imagem da derrota. O empresário do atacante do Real Madrid, Vágner Ribeiro, o aguardava no saguão para levá-lo embora dali. Outros tinham parentes a esperá-los, como a mulher do goleiro Júlio César, Susana Werner.
Eleito o melhor jogador do mundo nos últimos dois anos, Ronaldinho Gaúcho experimentava uma sensação diferente. A noite foi bem difícil para quem só se acostumou a receber flores e aplausos nos últimos anos. Depois de uma atuação apagadíssima, mais uma nesta Copa, foi vaiado e chamado de mercenário por torcedores brasileiros que estavam hospedados no mesmo hotel da seleção. ''Agora eu só quero ir para casa e ver minha família'', afirmou depois do jogo.
Embora mais calados, Roberto Carlos e Ronaldo aparentavam mais tranquilidade. Como a maioria, ficaram boa parte do tempo em seus quartos. Ronaldo só dormiu duas horas durante a noite. Por volta das 11 horas, deixou o hotel para pegar um vôo fretado rumo a Madri, acompanhado da namorada, Raica, da mãe, Sônia, e outros parentes. Estava chateado com a eliminação e por se considerar em ascensão física e técnica no momento em que a equipe foi eliminada. ''Não é que o grupo estava rachado, mas havia jogadores com divergência de interesses lá dentro. Há uns com mais fome de ser campeão, outros menos e isso causa uma diferença natural'', afirmou uma pessoa que vivia o dia-a-dia do grupo. (Agência O Globo)





