São Paulo - O impasse entre Palmeiras e WTorre ganhou mais um capítulo ontem. O presidente do clube alviverde, Paulo Nobre, afirmou que "ninguém vai passar o Palmeiras para trás" ao abordar os pontos de divergência com a construtora da arena.
Os dois impasses principais são a definição do número de cadeiras a que cada parte terá direito e a definição do preço dos ingressos.
Na visão do Palmeiras, a WTorre teria direito a 10 mil dos 45 mil lugares, enquanto que a construtora acredita que todos os assentos da nova arena sejam explorados por ela durante os 30 anos de parceria firmados em contrato.
"A presidência não tem a menor intenção de provocar briga com a parceria dos próximos 30 anos, mas não admite que seja ferida a soberania do Palmeiras. Ninguém vai passar o Palmeiras para trás. Vamos defender até a última instância os interesses do Palmeiras", afirmou Nobre em entrevista no CT palmeirense.
O presidente, no entanto, diz que o interesse do Palmeiras é manter o diálogo com a WTorre. Descartou por hora recorrer ao tribunal arbitral - última instância prevista no contrato para julgar o impasse entre as partes sem que a Justiça comum seja acionada.
A Folha de S.Paulo revelou ontem que o impasse na definição das cadeiras pode fazer com que o Palmeiras deixe de lucrar pelo menos R$ 307 milhões nos 30 anos de parceria com a construtora.
Nobre disse ainda que o Palmeiras não abrirá mão da condição de estipular o valor dos ingressos para seus jogos, algo, que segundo ele, já está definido no contrato com a WTorre.
"O Palmeiras não abre mão de precificar o ingresso. Toda renda do jogo é do Palmeiras, mas quanto vai custar para entrar no estádio somos nós quem vamos decidir. Podemos vender ingressos de forma individual ou priorizar o sócio-torcedor. Se o Palmeiras não puder precificar os ingressos e comercializar as cadeiras significa uma perda de R$ 300 a R$ 700 milhões."
Apesar de Walter Torre, dono da WTorre, ter afirmado ao jornal "Lance" que o ritmo das obras foi diminuído até que o impasse seja resolvido, Nobre disse que não acredita em uma paralisação das obras.
"Não tenho a menor preocupação que as obras sejam paradas. Só me surpreendo que, em uma obra já atrasada, o responsável da construtora esteja desacelerando o ritmo da obra", afirmou o cartola. "(A construtora) Pode atrasar um pouco mais a obra. É melhor conter a ansiedade neste momento em que estamos decidindo os próximos 30 anos do Palmeiras do que sofrer depois por um início não adequado de parceira", concluiu.

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