São Paulo - O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, admitiu que o clube mantinha algumas regalias as torcidas organizadas. Porém, todas as facilidades serão cortadas por causa da agressão ao goleiro Fernando Prass, ocorrida no aeroporto de Buenos Aires ontem pela manhã.
"Acredito em bom relacionamento com as torcidas organizadas e isso existia até então. Se eventualmente elas identificarem esses bandidos, expulsarem eles e os entregarem para a polícia, o relacionamento voltará a ser bom, como era até então", disse Nobre no CT do clube.
Segundo o cartola, o Palmeiras privilegiava a venda de ingressos para os torcedores organizados em jogos no Brasil e fornecia gratuitamente uma quota de entradas para jogos no exterior, mas não financiava a viagem das facções.
Nobre disse que não teme retaliação, embora tenha dito que a segurança para os atletas será reforçada. Disse também que vai pedir apoio aos órgãos públicos para combater a violência.
"Quando decidi ser presidente do Palmeiras, eu sabia que teria de estar preparado para tudo. Eu entendo essa questão, mas estou preparado", disse.
"Tenho hoje (ontem) uma audiência com o (prefeito Fernando) Haddad e vou levar esse problema de violência no futebol. Já pedi uma audiência com o governador (Geraldo Alckmin) também. Já falei com (o ministro do Esporte) Aldo Rebelo. Se for possível, vou falar até com a (presidente) Dilma. Gostaria que outros clubes abraçassem essa ideia. Esse tipo de atitude é péssima para o futebol brasileiro", acrescentou.
Nobre disse ainda não temer que o clube seja punido pela Conmebol pela confusão. Ele disse que não seria contrário a uma eventual punição contra a equipe alviverde. "Não temo (uma punição ao clube). Foram fatos diferentes (dos ocorridos na edição deste ano da Libertadores). Gostaria que a Conmebol tomasse alguma atitude. Não vejo nenhum problema nisso (ser punido). O Palmeiras sairia prejudicado mas, se ajudar a coibir a violência, então o futebol tem a ganhar com isso", afirmou.
Xícara
O goleiro Fernando Prass disse que foi atingido por uma xícara atirada contra o meia Valdivia na confusão entre jogadores do Palmeiras e membros de uma torcida organizada no aeroporto de Buenos Aires.
Ele relatou que sofreu um corte devido à agressão e que precisou de atendimento médico. "Jogaram uma xícara no Valdivia e acertaram em mim. Levei três pontos na cabeça e tive um corte na orelha", escreveu o arqueiro palmeirense em sua conta no Twitter.
Ferido, o goleiro foi atendido pelo médico Rubens Sampaio, com o auxílio do massagista Serginho.
Os torcedores que participaram da confusão prestaram depoimentos à polícia argentina, foram liberados e também retornaram para São Paulo.
Valdivia
O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, saiu em defesa de Valdivia após a confusão em Buenos Aires. O dirigente disse também que nenhum atleta pediu para deixar o clube após o incidente. "Ele (Valdivia) não tem sangue de barata. Não é certo reagir. Mas (se houve reação), não justifica o que os torcedores fizeram no aeroporto", disse o presidente.

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