Nobre arte: o escrivão e sua paixão pelo boxe
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sábado, 19 de outubro de 2002
Emerson DiasReportagem Local 
Ele abandonou os ringues, mas a paixão pelo esporte permanece. Nas paredes, no armário, e nos porta-retratos, indicam que o escrivão do 5º Distrito Policial de Londrina, Francisco Carlos Calijuri, dedicou parte dos seus 49 anos ao pugilismo.
Sob as luvas gastas penduradas na parede, que garantiram os títulos paranaenses de campeão peso médio amador em 1976, 1977 e 1979, Calijuri fala dos tempos em que o esporte agitava Londrina e região. ''Começamos em 1975 com um pequeno grupo treinando na Academia Rádio-Patrulha. Graças ao sargento Maurício Agostinho Pereira, conseguimos levar no pessoal para campeonatos paranaenses e brasileiros'', recordou Calijuri, destacando o Campeonato Brasileiro, no Rio de Janeiro, em 76.
Londrina foi palco de grandes disputas também naquele ano. O 1º Campeonato Paranaense de Boxe Amador foi realizado no Ginásio Moringão e rendeu um bom público. ''Era maravilhoso participar dos torneios, mas a falta de estrutura e dificuldades financeiras impediam a gente de seguir profissionalmente no esporte. Mesmo assim, valeu.''
As mesmas luvas que o acompanharam durante a curta carreira (parou no início da década de 80), foram guardadas por outro motivo que, segundo ele, supera todos os títulos que conquistou. Nelas estão os autógrados de um dos maiores boxeadores dentre os 110 anos de história do esporte: Cassius Clay, conhecido mundialmente como Muhammed Ali. ''Conheci o campeão em abril de 1987, quando ele foi a Curitiba para fazer um comercial de automóvel. Levei as luvas e também apresentei ele ao meu filho.''
A homenagem no batismo e o encontro com o mito não chegaram a empolgar o jovem Cassius Marcelus Calijuri, que preferiu estudar e brincar jogando futebol. Mas o pai não lamenta a escolhas do rapaz e nem dele próprio. Entre um inquérito e outro, Calijuri aproveita para aprimorar um hobby, entalhando objetos em madeira (entre eles, quadros e bonecos idolatrando o pugilismo). ''Ainda acompanho os campeonatos pela televisão, mas não penso em voltar aos ringues. Mesmo assim, tenho que elogiar a dedicação de pessoas como o Miguel (Oliveira), que ainda mantém o espírito do esporte na cidade'', disse, referindo-se ao atual técnico da academia da LEC. (ver texto nessa página)


