No topo do pódio
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sábado, 18 de outubro de 2014
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
O piloto de motocross Matheus Fávero não se cansa de esbanjar talento pelas pistas brasileiras. Com apenas 14 anos, o garoto já tem dois títulos nacionais, um na categoria 50cc em 2011, e outro na 65cc, conquistado no último final de semana, em Santa Maria (RS). Ele também foi campeão paraguaio, em 2012 e, no ano passado, representou o país no Mundial da República Tcheca. Com uma trajetória desta, seria fácil imaginar que o menino só tem motivos a comemorar, certo?
Na verdade, não é bem assim. Apesar de ter muitos motivos para celebrar agora, o garoto ainda não sabe o que será do seu futuro. É que Matheus completa 15 anos no ano que vem e vai mudar para a categoria 85cc. E geralmente nesta idade os pilotos já iniciam a transição para a categoria profissional. É quando ele vai precisar de um maior investimento para ter condições de continuar evoluindo como piloto e lutar por mais títulos. O problema é que até hoje nada surgiu.
Em 2014, Matheus correu apenas com o apoio de uma marca de equipamentos, que lhe cedeu joelheiras, luvas, capacetes e o protetor de pescoço. O resto veio tudo do bolso do pai, que se vira como pode para conseguir bancar não só Matheus como o irmão Gabriel, que é um ano mais velho e também é piloto de motocross. Juliano César Silva é microempresário dono de uma empresa de produtos de limpeza e conta ter investido pelo menos R$ 10 mil para o filho conseguir participar das quatro etapas do nacional. "Fora o custo de manutenção da moto. É um esporte muito caro", ressalva. "Praticamente tudo o que a gente ganha vai para alimentar o sonho deles, que também é nosso", conta.
Juliano, que também foi piloto, diz que o momento é decisivo para a carreira do filho. "Enquanto estava dependendo apenas do talento, ele estava se sobressaindo, mas daqui para frente será diferente. Ele vai precisar de investimento para ter equipamento (moto) melhor e continuar na briga", observa.
Mas a falta de patrocinadores não é "privilégio" somente do londrinense. O pai de Matheus cita que falta investimento na formação de novos pilotos de uma forma geral. "Hoje no Brasil praticamente não existe investimento na base. Conheço um monte de pilotos que chegou a essa idade e teve que parar. É uma fase crítica", lamenta.
ESPERANÇA
Com mais um título, pai e filho acreditam muito que a situação pode ser diferente nos próximos anos, mas não escondem que temem que a falta de apoio continue. "A gente nunca quer pensar em parar, pois é um sonho, o motocross é tudo para mim. Mas vejo as dificuldades do meu pai agora, e daqui para frente tudo começa a ficar mais caro ainda, então é uma situação difícil. Mas quero acreditar que as coisas podem melhorar. É assim que tem que ser", falou o garoto.
"Como ele foi campeão brasileiro já em duas categorias, foi ao Mundial, ganhou também no Paraguai, onde o campeonato é muito bom, a gente acredita que possa aparecer alguém para entrar nessa luta junto com a nossa família", reforçou o pai.
No início de dezembro, o londrinense terá ainda a oportunidade de fechar a temporada com 100% de aproveitamento. Vice-líder do Campeonato Paranaense, ele precisa somar cinco pontos a mais que o primeiro colocado na última etapa, em Siqueira Campos, para conquistar pela primeira vez o título estadual na categoria 65cc.


