Albari RosaO gerente da Casa Americana, Ivaldo Fornazieri, em Ciudad del Este: O turista não veio e a fiscalização espantou os sacoleiros


NO PREJUÍZO


Valmir Denardin
Enviado a Ciudad del Este

Em menos de 15 dias, o humor dos comerciantes de Ciudad del Este - um dos principais centros de compras do mundo, com cerca de 6 mil lojas - passou da euforia à decepção. O setor apostava na realização da Copa América no país, com a cidade sendo uma das sedes do torneio, como um fator de aquecimento do setor. Mas aconteceu o contrário.
Segundo estimativa do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap) - entidade que reúne os principais lojistas de Ciudad del Este - o movimento nos 15 primeiros dias da Copa América caiu entre 5% e 10% em relação ao período imediatamente anterior. Não há previsão de melhora até o final do torneio.
Como evento esportivo, a Copa América está sendo um sucesso absoluto. Mas é um fracasso total para o comércio, resume Charif Hammoud, presidente do Cicap e dono da loja Monalisa. O turista não veio e a fiscalização mais rigorosa na Ponte da Amizade espantou o sacoleiro, completa Ivaldo Fornazieri, gerente da Casa Americana.
Há duas causas para a frustração. A primeira é que a maioria dos torcedores brasileiros que assistiram aos jogos em Ciudad del Este são moradores de cidades paranaenses próximas a Foz do Iguaçu, que não têm costume de fazer compras no Paraguai e voltavam para casa logo após as partidas. A segunda causa foi o aumento da fiscalização da Receita Federal na Ponte da Amizade no período.
Esperando cerca de 40 mil torcedores-consumidores no período da Copa América, os comerciantes anunciaram descontos, mandaram imprimir catálogos, aumentaram estoques, sortearam ingressos para os jogos e até adotaram um câmbio mais baixo para o dólar (R$ 1,60). Até agora, o número de visitantes não passou de 15 mil e os lojistas já começam a contar os prejuízos.
Também decepcionados, os camelôs estão reduzindo o preço das mercadorias para vender. Os poucos turistas ficaram no Brasil. Os que vêm para Ciudad del Este entram direto nas lojas. Não sobrou nada para nós, afirma Ubaldo Duarte, de 26 anos, dono de uma banca na área central.
O fracasso econômico na Copa América acentua ainda mais uma crise que foi agravada em janeiro, com a desvalorização do real frente ao dólar. O faturamento, que chegou a US$ 12 bilhões - há uma década - não deverá atingir US$ 2,5 bilhões, neste ano.

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