No passado as glórias, hoje o ostracismo
A pergunta que fica é: o que fazer hoje com o Estádio do Café? Que destino terá essa praça esportiva que foi palco das maiores conquistas do Tubarão? Foram erguidos lá os troféus da Taça de Prata de 1980 e os títulos estaduais de 1981 e 1992.
Mesmo quando o local ainda recebia os jogos de Londrina e Portuguesa (as equipes se alternaram no uso do estádio), a praça era sub-aproveitada. Com a torcida sempre pequena, o estádio ficava desproporcional e as arquibancadas quase vazias.
A última vez que o Café recebeu grande público já faz um bom tempo: foi num jogo da segunda fase da Copa do Brasil de 2004, quando o Tubarão perdeu para o Grêmio-RS por 2 a 0, diante de 17 mil torcedores. Antes disso, em 2002, também pela Copa do Brasil, recebeu perto de 30 mil pessoas, que assistiram à vitória do LEC por 1 a 0 sobre o Cruzeiro.
Depois destes episódios isolados, o portentoso Café, com seus 32 mil lugares, não teve mais eventos dignos da sua grandeza. Ficaram apenas na memória as imagens das arquibancadas sempre cheias no final da década de 70 e início dos anos 80, quando o Tubarão esteve entre os melhores times do País - foi 4º colocado no Brasileiro de 1977.
O coordenador do estádio, Gumercindo Marcantonio, funcionário da prefeitura há 23 anos e há quatro na administração do Café, diz que sente melancolia só de pensar neste passado. ''Dá dó de ver hoje o estádio. Mas dá mais tristeza ainda quando escuto torcedores e emissoras de rádio só criticando e dizendo que ele está entregue ao vandalismo. O Café não está abandonado, só mal utilizado'', garantiu.
A falta de uso pelas equipes profissionais leva ''ao esquecimento e ao ostracismo'', admite Marcantonio. Na sua opinião, seria melhor deixar as equipes da cidade usarem o estádio mesmo sem cobrança de taxa do que deixá-lo como está, sem atividade. ''Porque quando tem alguém treinando ou jogando aqui e quando a imprensa passa a frequentá-lo, pelo menos a molecada que vem para roubar fios, depredar e furtar peças hidráulicas acaba não aparecendo'', justificou. (J.K.)





