No outro lado de Interlagos, moradores viram "reféns"
No outro lado de Interlagos, moradores viram "reféns"16/Mar, 19:35 Por Valéria Zukeran São Paulo, 16 (AE) - Enquanto os moradores do Cingapura se preparam para faturar nos dias de Grande Prêmio do Brasil, quem mora nas casas de alto padrão das ruas que dão acesso ao Autódromo de Interlagos se prepara para seus dias de "refém" da Fórmula 1. "Por aqui o pessoal se programa para não ficar nervoso de dois jeitos: ou não põe o pé para fora de casa entre sexta e domingo ou viaja no fim de semana do GP", diz o engenheiro Roberto Dello Strologo, que mora na Avenida José Carlos Pacce. José Maria de Barros, que está na região desde 1978, optou pela primeira alternativa. "Compro tudo o de que vou precisar na sexta-feira para não sair mais de casa", diz. Aventurar-se a sair de carro pela região em época de GP, segundo ele, é uma tarefa desgastante que só não se torna impossível por causa da interdição das ruas próximas ao autódromo pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A burocracia para chegar em casa - todos os carros serão credenciados para passar pelas barreiras - é considerada um mal necessário. "Quando o acesso era liberado, os carros fechavam as entradas das garagens e as barracas de ambulantes deixavam tudo uma imundície", diz. Dello Strologo ressalta que era um pesadelo. "Minha casa não tem portão e meu jardim virou uma privada pública." Só passarão pelas barreiras da CET ônibus fretados e automóveis dos moradores. Mas nem tudo é perfeito. "A CET precisa escolher funcionários menos idiotas para administrar a entrada e saída de veículos", diz Dello Strologo. Segundo a mulher do engenheiro, Amélia Dello Strologo, muitas vezes não é possível passar porque o funcionário se recusa a abrir a cancela. "Aí o jeito é dar uma grande volta com o carro. Egoísmo - A expectativa de recorde de público assusta o casal, que prevê trânsito ainda mais caótico. O problema, segundo eles, poderia ser menor não fosse o egoísmo de alguns vizinhos. "Duas das ruas que poderiam ser usadas para escoar o trânsito foram fechadas com muros pelos moradores; para sair, só sobrou a José Carlos Pacce", diz Amélia. "Com tanta gente passando por aqui, não entendo como deixaram isso acontecer", completou a moradora que culpa a regional que administra a região por permitir o bloqueio."





