São Paulo - Desde 2007, o Brasil não sabe o que é voltar de um Mundial de Esportes Aquáticos sem uma medalha de ouro. Naquele ano, um jovem Cesar Cielo liderou a prova dos 100 metros livre até 15 metros do fim. Além de perder fôlego, ele ainda errou no cálculo até bater a mão na borda e ficou em quarto lugar, a quatro centésimos de um pódio que o País não conseguia desde 1994. Neste ano, no Mundial de Barcelona, que começou na sexta-feira, é bem possível que nenhum brasileiro suba ao degrau mais alto do pódio.
Bicampeão mundial dos 50 metros livre - venceu a prova em Roma/2009 e em Xangai/2011 - e campeão mundial dos 100 metros livre há quatro anos, Cielo agora é apenas mais um competidor que faz parte do bloco de candidatos a uma medalha. Ele abriu mão da participação nos 100 metros livre e nos revezamentos, pois se submeteu a uma cirurgia nos dois joelhos há dez meses.
Na Olimpíada de Londres, no ano passado, Cielo já dissera que a participação nos 100 metros livre talvez tivesse lhe drenado a energia necessária para conseguir um resultado melhor nos 50 metros livre, indiscutivelmente sua principal prova já há algum tempo.
Hoje, o nadador barbarense de 26 anos se diz "sem joelhos e sem confiança" para ampliar o seu leque de provas no Mundial, que terá em sua primeira semana disputas de maratona aquática, saltos ornamentais, polo aquático e nado sincronizado. O calendário de natação se iniciará no próximo domingo.
"Meus objetivos em Barcelona são buscar os melhores tempos da minha vida", afirma Cielo, que alimenta fortes expectativas na prova dos 50 metros borboleta. "Quero baixar meu recorde sul-americano nos 50m borboleta (22s76, registrados em abril do ano passado, no Rio)", avisou. A melhor marca desta temporada são os 23s00 cravados registrados pelo francês Frédérick Bousquet em abril.
Cielo aposta até na possibilidade de que o Brasil obtenha duas medalhas nos 50 metros borboleta. O outro representante do País será Nicholas Santos.
Nos 50 metros livre, Cielo diz acreditar também nas chances de ouro. "Se Deus quiser, vamos conseguir esse tricampeonato mundial inédito", avisou o nadador. Desde 1986, quando a prova foi inserida na programação do Mundial, nenhum nadador conseguiu vencer os 50 metros livre por três vezes.
Hoje, Cielo já não possui o favoritismo que um dia teve. De qualquer forma, Cielo não ficou de braços cruzados quando percebeu que seu nível havia caído nos Jogos Olímpicos. No fim do ano passado, o técnico Alberto Pinto da Silva, o Albertinho, deixou de ter papel preponderante nos treinos. Hoje, o astro da natação brasileira treina com Scott Goodrich, cria da Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, e pupilo do australiano Brett Hawke, seu antigo treinador. "Voltei a trabalhar como nos tempos do Brett: é velocidade o tempo inteiro", conta.

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