No Londrina, tudo é incerto
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terça-feira, 22 de dezembro de 1998
Nelson Cilo 
O Londrina deve iniciar ainda hoje a operação desmanche da equipe que disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. A diretoria vai dispensar a maioria dos jogadores que participaram da temporada encerrada domingo, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, na derrota (3 a 0) diante do Gama, no quadrangular final. O resultado tirou a última chance de o time subir para o grupo de elite.
Alguns jogadores, porém, estão nos planos do clube para a Série A-2 do Paranaense no próximo ano. Entre eles, o goleiro Renato, os zagueiros Ivanildo e Carlos Alberto, além do ala esquerdo Arnaldo e do meia Luiz Carlos, que estão vinculados ao São Paulo. A idéia é utilizar a base da atual equipe e atletas dos juniores para completar o elenco.
É improvável que o Londrina consiga manter o ala direito Marquinhos Capixaba e o atacante Mauro, que interessam a equipes espanholas e japonesas, segundo o empresário José Fuentes, que se encontra em São Paulo. Diversos times do interior paulista, especialmente a Ponte Preta, também falam em contratá-los.
O Paraná já confirmou interesse em levar Mauro e pode procurá-lo entre hoje e amanhã. O Palmeiras chegou a enviar um emissário a Ribeirão Preto para observá-lo contra o Botafogo. Mauro, que marcou 10 gols na Série B - quatro a menos que o artilheiro Gauchinho, do XV de Piracicaba, e apenas um atrás de Nando, do Criciúma, continua em alta no mercado. Por mim, permaneceria no Londrina, mas, como profissional, é claro que vou analisar todas as propostas, disse Mauro.
Enquanto isso, o volante China já estaria contratado pelo Etti/Jundiaí. O central Valder está na mira de clubes do interior de São Paulo, a exemplo de Renan, Wagner, Alemão, Adoilson, Rogério, Alaor e Gilmar Nass.
Recentemente, o Sevilha (Espanha) pediu uma fita de vídeo dos jogos de Valder.
O futuro do técnico Varlei de Carvalho também é incerto. A permanência dele ou daqueles que ficariam - como Renato, Ivanildo, Carlos Alberto, Arnaldo e Luiz Carlos - dependeria de um acerto financeiro em bases mais realistas. Para os jogadores, a faixa salarial seria de R$ 3 mil.
Segundo Guergoletto, porém, o novo planejamento estaria atrelado à eventual retaguarda do prefeito Antonio Belinati ou mesmo de possíveis parcerias. O Londrina não pode morrer como menor abandonado. Se não nos unirmos agora, nosso time corre o risco de desaparecer. É preciso que o Executivo e o Legislativo se juntem aos empresários para viabilizar o clube. É necessário criar uma forte estrutura em cima de um modelo estritamente empresarial, sugere Guergoletto, referindo-se às exigências da Lei Pelé.
Guergoletto e Belinati devem se reunir hoje para discutir o projeto-99 do Londrina. Se Belinati recuasse, o dirigente tentaria obter apoio isolado de outros setores. Não acredito que o prefeito vá nos abandonar. Ele sempre esteve conosco e agora não seria diferente, afirmou Guergoletto.
Caso os potenciais patrocinadores não queiram ajudar, Guergoletto acha que a situação iria se complicar. Nem eu me considero assegurado. Se fosse para o bem do Londrina, sairia. Não importa quem. Alguém deve tocar o barco. Vivemos um momento delicado. Nessa hora, as pessoas precisariam esquecer as vaidades, recomenda o coordenador-geral, em tom de apelo.
Guergoletto promete regularizar os salários de dezembro e aguarda a liberação da última parcela prometida pelo prefeito para repassá-la entre hoje e amanhã aos jogadores. Não podemos manchar a credibilidade que aos poucos começamos a reconquistar, supõe Guergoletto.


