No limite das forças, França cuida da cabeça dos jogadores
As lágrimas de Zagallo, derramadas depois da tensa vitória nos pênaltis contra a Holanda, encontraram um correspondente na silenciosa caminhada do técnico francês Aimé Jacquet, no instante em que a França derrotava a Croácia. Foram emoções idênticas, mas que tiveram uma demonstração diferenciada, comentou o médico da Seleção Francesa, Jean-Marcel Ferret. Zagallo apenas não se conteve e foi mais exaltado.
Enquanto os jogadores franceses se abraçavam no campo, o treinador, agarrado à sua inseparável pasta de anotações, procurava manter sua habitual tranquilidade - Jacquet acostumou-se a não expor publicamente sua emoção depois das partidas. Só que, dessa vez, ele estava mais tenso do que estou acostumado a ver, comentou Ferret, que acompanhou atentamente os movimentos de Jacquet. Era a primeira reação da fadiga mental, provocada pela partida.
Segundo o médico francês, o principal trabalho a ser feito com os jogadores antes da final é psicológico. Fisicamente, a equipe está bem, sentindo apenas o cansaço normal de quem está competindo há um mês direto, afirmou. O problema é combater o cansaço psicológico.
A grande dificuldade é que cada jogador tem um nível de fadiga, distinto e particular, além de necessitar também de um período próprio de recuperação. E, para completar, a situação variava também depois de cada partida, dependendo do resultado.
O médico francês acredita que a Seleção Brasileira esteja em condições psicológicas semelhantes. Tanto a França como o Brasil enfrentaram decisões nos pênaltis, o que é extremamente desgastante, afirmou. O trabalho mais eficiente é manter a confiança em alta, conseguida graças à vitória, para a partida seguinte.
Ferret disse ontem que a maior parte dos jogadores da equipe está no limite de suas forças. Por isso, o técnico Aimé Jacquet poderá ser obrigado a fazer alterações na equipe para enfrentar o Brasil no domingo, além da escalação de Frank Leboeuf no lugar de Laurent Blanc, expulso na semifinal contra a Croácia. Nesta altura do campeonato, os jogadores já acumularam muito cansaço físico e psicológico. Isso pôde ser visto diante da Croácia, quando alguns jogadores demoraram para se concentrar na partida, vencida porque foram arrojados, afirmou o médico.France PresseAdmiração em campoGaroto francês acompanha treino em Ozoir-la-FerriSre: Brasil se diz pronto para a decisão de domingoAgência Estado





