O interesse de Roberto Carlos, o craque pentacampeão mundial, de comprar o União São João, de Araras (SP), reacendeu a participação de ex-craques diretamente no futebol. Mas a ação efetiva ainda é tímida, ocasionada pelo caos provocado pela Lei Pelé nos clubes formadores de jogadores. Formar, revelar e vender também é o objetivo desses novos profissionais.
Em Campinas, um dos casos conhecidos é dos ex-jogadores Careca e Edmar, que brilharam nas décadas de 80 e 90. Em 98 os dois fundaram o Campinas Futebol Clube, que deveria ser a terceira força profissional da cidade. Mas o projeto naufragou por conta de erros administrativos e estratégicos. Faltaram aos dois ex-craques, hábeis em campo, habilidade nas palavras e nas negociações. O time até foi destaque no Campeonato Paulista da Série B2, equivalente à Quinta Divisão, mas agora só participa com a ação de empresários, que visam ganhar algum dinheiro com revelações. Mas o dinheiro está escasso e os negócios raros.
Ano passado, Silas, ex-São Paulo e seleção brasileira, se associou aos irmãos, também ex-jogadores, Eli Carlos e Paulo Silas, para administrar o Primavera de Indaiatuba, no Paulista da Série B1, Quarta Divisão. Mas acabou se desiludindo. ''Não existe segurança em cima do investimento, porque existe uma ação indiscriminada de empresários e procuradores que são favorecidos pela lei. Mas o que eles investem na base? Nada. E, infelizmente, ficam com tudo'', lamenta Silas, que mora em Campinas desde abril, quando resolveu, de vez, pendurar as chuteiras.
Há também ações indiretas como do ex-meia Lê e do volante Bernardo, com passagem pelo São Paulo, que administraram, com relativo sucesso, o futebol do Independente de Limeira, na temporada de 2001. Cansado de enfrentar problemas com ações trabalhistas e administrativas, eles preferiram tirar o pé do acelerador, passando apenas a agir como observadores e empresários. ''Mais vale fazer um negócio ou outro na temporada do que ter que enfrentar toda a responsabilidade de um clube'', diz Lê.
É o que pensa também Júlio César, ex-zagueiro revelado pelo Guarani, que passou 14 anos na Europa, defendendo entre outros clubes a Juventus de Turim e o Borussia Dortmund, da Alemanha. ''É preferível trabalhar mais de longe, colocando ou acompanhando algum jogador. Trabalhar no clube é complicado'', garante Júlio César que no primeiro semestre prestou uma ''assessoria'' ao São José no Paulista da Série A2, Segunda Divisão.
Lutando contra a maré de dificuldades, no ano passado o goleiro Pitarelli ressuscitou o futebol na cidade de Votuporanga. Lá ele já tinha investido num moderno Centro de Treinamento, mas percebeu que ter um clube poderia facilitar seus negócios. Fundou, então, o SEV (Sociedade Esportiva Votuporanga) que ocupou a lacuna aberta pelo extinto Votuporanguense. ''O momento do futebol é ruim, mas estamos tocando o futebol de maneira cautelosa'', diz Gilberto Pitarelli, presidente do SEV, que disputa a Série B3.

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