No fio da navalha
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sábado, 11 de junho de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Após quatro etapas disputadas da Fórmula Truck 2016, o ibiporãense tricampeão da categoria Leandro Totti soma apenas 29 pontos e ocupa o modesto 17ª lugar na classificação geral. Acostumado a andar entre as primeiras posições no últimos anos, pela RM Competições, o piloto assumiu este ano a missão de tornar competitivo o caminhão Volvo da equipe Maistro Clay Truck Racing, que terminou o campeonato passado no último lugar.
A má posição no ranking não preocupa Totti. O piloto diz ter como meta ficar entre os dez melhores neste ano para poder brigar pelo título na próxima temporada. "Não estou preocupado com pontuação, mas sim em ganhar ao menos uma corrida", contou. Para isso, ele pretende abusar de seu estilo de pilotar no limite. "Vou arriscar nas tomadas de tempo, nas corridas. Vamos para tudo ou nada."
Nas quatro etapas disputadas, quebras motivadas por fatores externos e até pelo estilo arrojado do piloto impediram Totti de alcançar melhores pontuações. "Desde o ano passado eu percebia que o caminhão era bom, que faltava um ajuste. Agora estamos colocando em prática, só precisamos de um pouco mais de sorte", disse.
Para espantar a maré de azar, Totti espera contar com o apoio da torcida de Londrina na próxima etapa, que será disputada na cidade no dia 3 de julho. Na sua 13ª temporada na Fórmula Truck, o piloto espera quebrar o tabu de nunca ter vencido em Londrina. "Correr em casa é sempre bom. As expectativas são boas", comentou.
Para Totti, a mudança de equipe foi natural e a liberdade para poder trabalhar no desenvolvimento do caminhão pesou muito na decisão. "As pessoas me perguntavam se eu estava ficando louco por trocar uma equipe de ponta pela última colocada. O problema é que onde estava havia muitas restrições ao piloto participar do desenvolvimento do caminhão", contou.
Filho e neto de mecânicos, o paranaense gosta de colocar a mão na graxa. "Eu estava na melhor equipe, com 35 mecânicos à minha disposição, mas mesmo assim passava dias soldando, furando. Os outros pilotos passavam e estranhavam aquilo. É uma coisa que está no sangue, sabe?", lembrou. Ele revelou que Nelson Piquet foi um importante modelo no início de sua carreira no automobilismo, justamente pelo conhecimento no ajuste do carro e, principalmente, por andar com ousadia, no "fio da navalha" dentro da pista.
Único piloto da pequena equipe de Maringá, Totti diz ter liberdade total para fazer os ajustes necessários. "Tem coisas que o engenheiro e o computador acertam, mas tem outras que precisam da experiência do piloto. Conhecer de mecânica é um diferencial", analisa.
Totti revela também que os atritos de bastidores o influenciaram a deixar a antiga equipe. "É um clima extremamente competitivo, ninguém quer perder. Até aí é normal, mas tem hora que isso extrapola. Começam a surgir segredos e intrigas dentro da própria equipe. Isso não é legal", condena.
O piloto lembrou de grandes disputas na pista com o ex-companheiro de equipe Felipe Giaffone. "Teve uma corrida que enroscamos e saiu pedaço de paralama, carenagem. Um diretor da Volkswagen estava assistindo pela TV e ligou para o técnico da equipe pedindo para ele dar ordem para nós pararmos com aquilo, senão os dois sairiam da corrida. O técnico sugeriu que ele mesmo pegasse o rádio e desse a ordem, que talvez seria atendido", lembrou, sorrindo com a situação.
A parceria com o Londrina Esporte Clube, que tem as cores e o distintivo estampados no caminhão número 1, é apontado como uma boa motivação . "Esse ano a corrida vai ser muito especial pela parceria. A gente percebeu que o público que vai ao estádio é o mesmo que vai ao autódromo. Estou até vendo a arquibancada repleta de camisas azul-celeste. Vai ser muito legal", prevê.


