No Cruzeiro, Kléber sonha com o retorno ao Verdão
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Alex Sabino<br> Agência Estado 
São Paulo - O atacante Kléber aceitou dar entrevista à Agência Estado após alguma insistência. Mas impôs uma condição: não fala sobre a fama de violento e as duas expulsões na Copa Libertadores deste ano pelo Cruzeiro. O jogador quer afastar a todo custo a imagem de bad boy, por mais que as atitudes dentro do campo a reforcem.
Principal contratação do clube de Belo Horizonte para a temporada de 2009, o atacante que virou ídolo do Palmeiras fez juras de amor ao time de Palestra Itália, onde sonha um dia ganhar o título da Libertadores.
Agência Estado - Como foi a mudança do futebol paulista para o mineiro? Há diferença?
Kléber - Dentro de campo, tudo bem. Estranhei um pouco no começo porque Belo Horizonte, em relação a São Paulo, tem mais jeito de interior. Mas não é difícil se adaptar ao futebol e à cidade. Para quem estava acostumado a viver na Ucrânia, Belo Horizonte é fácil.
AE - Você chegou ao Cruzeiro já como ídolo e esperança de gols da equipe. A responsabilidade cresce em uma situação como essa?
Kléber - É uma responsabilidade maior, sem dúvida. Cheguei ao Cruzeiro de forma bem diferente do que foi no Palmeiras, onde fui mostrando meu potencial no decorrer das partidas. Aqui já existe a responsabilidade. Mas para mim não tem problema. Ser ídolo era o meu principal objetivo quando decidi voltar para o Brasil.
AE - Em seu período no Palmeiras você conquistou a condição de ídolo e a torcida fez até protestos pela sua permanência. Acompanhou tudo isso?
Kléber - Acompanhei. Fiquei muito feliz por ter correspondido ao que os torcedores esperavam. Nunca escondi que a minha prioridade e meu desejo eram continuar porque já conhecia os jogadores e a forma de atuar. Mas não deu certo. Sou muito grato ao Palmeiras por tudo o que fez pela minha carreira. Tinha gente que nem se lembrava mais de mim e o clube foi me buscar na Ucrânia. Já estava perfeitamente adaptado na cidade onde a minha família morava e queria ter ficado.
AE - Vai voltar para o Parque Antarctica no futuro?
Kléber - Espero um dia poder voltar. Foi o time que mudou a minha forma de ver o futebol. Acompanho os jogos e virei torcedor do Palmeiras. Quero voltar um dia para, quem sabe, conquistar a Copa Libertadores. Ficou faltando um título de mais expressão na minha passagem pelo clube. Ganhamos apenas o Paulistão.
AE - Você não queria voltar para a Ucrânia e foi para o Cruzeiro. Com que objetivo?
Kléber - Meu grande objetivo é vestir a camisa da seleção brasileira. Eu já disputei Mundial Sub-20 e dá para ter uma dimensão do que é, mas não é a mesma coisa da principal. Só fazendo gols e ajudando o time vou ser lembrado.
AE - Para o Keirrison, Vanderlei Luxemburgo defendeu a tese de que, atuando no Brasil, ele tem mais chances de chegar à seleção e disputar a Copa porque na Europa a concorrência é maior. Isso serve para você também?
Kléber - Olha, eu não sei se é bem assim. Quem está atuando lá fora acaba tendo peso maior nas convocações. Mas cada caso é um caso. Se um jogador está fazendo gols em um clube grande no exterior e outro está fazendo gols em um time grande daqui, quem está fora tem mais chances de ser chamado, o que é normal. É mais difícil jogar na Europa, é mais aguerrido. Um Manchester United e Chelsea são mais observados que um Corinthians e Palmeiras, por exemplo.


