No Chile, treino secreto e silêncio
Valmir Denardin
A copa das ár vores próximas ao Estádio Mu nicipal de Santa Terezinha de Itaipu (25 km a nordeste de Foz do Iguaçu) foi ontem o único local possível para os jornalistas acompanharem o último treino do Chile antes da decisiva partida de hoje, contra o Brasil. O técnico Nelson Acosta exigiu a presença de 40 policiais militares - dentro e fora do estádio - para impedir a aproximação de torcedores e, principalmente, de repórteres, cinegrafistas e fotógrafos.
Seguindo orientação do treinador, os PMs não deixavam os jornalistas escalar as árvores próximas ao muro do estádio. A única opção, então, foram as árvores mais distantes, fora do alcance da segurança, que passaram a ser disputadas entre os profissionais - a maioria chilenos.
Ernesto Diaz, da Rádio Cooperativa, de Santiago, foi um dos que conseguiram um desses camarotes. Do alto, Diaz narrava os treinos para os colegas, que estavam no solo. Esse lugar tem sido meu em todos os treinos, contou o radialista à Folha. Desde o início da Copa América, Acosta optou pelos treinamentos secretos. Ontem, apenas redobrou o cuidado e requisitou o aumento da segurança.
Depois dos treinos, na entrevista coletiva - já no Hotel Rafain Palace, em Foz, onde a seleção está hospedada -, o técnico chileno manteve o mistério. Recusou-se a divulgar a escalação do time que vai enfrentar o Brasil. Mas duas mudanças, pelo menos, são dadas como certas.
Pedro González, de 31 anos, jogador da Universidad de Chile, atual artilheiro do campeonato nacional, com 13 gols, deverá substituir o atacante Marcelo Salas, expulso no jogo contra a Venezuela e punido com duas partidas de suspensão.
Para o lugar do zagueiro Jorge Vargas - também expulso no último jogo, só que suspenso por uma partida -, Acosta deverá escolher entre dois jogadores recentemente vendidos ao futebol europeu: Paulo Contreras (foto), contratado pelo Mônaco, da França; e Javier Margas, do West Ham, da Inglaterra. Contreras é o mais provável.
Sobre o atacante González, Acosta disse que a vantagem é que ele é desconhecido dos brasileiros, ao contrário de Salas. Eu o conheço bem, o que me dá muita confiança.
O treinador repetiu, várias vezes, que o importante é assegurar a classificação. Com três pontos - igual ao México, que hoje enfrenta a Venezuela, desclassificada - o Chile precisa vencer o Brasil (que tem seis) hoje. Se perder por poucos gols, ainda terá chance de obter uma das duas vagas destinadas aos terceiros mais bem colocados no torneio. Pressionado pela torcida e a imprensa chilena, Acosta já admite deixar a seleção nacional caso a equipe seja eliminada na primeira fase.
Ontem, o chefe da delegação chilena, Osvaldo Vasquez, enviou duas correspondências à Confederação Sul-Americana de Futebol. Um reclama da atuação do árbitro da partida contra a Venezuela, o boliviano Juan Luna, no lance que resultou na expulsão de Salas. O atacante teria insultado o juiz porque, após sofrer um pênalti - não marcado - o adversário venezuelano o teria agarrado pelos cabelos, sem receber punição.
A segunda correspondência reclama da organização no Estádio Tres de Febrero, em Ciudad del Este. Dirigentes chilenos não teriam conseguido ingressos para os jogos e, no sábado, faltou água e luz no vestiário do time.





