Os 3 a 2 do Brasil sobre a Dinamarca serviram para comprovar que, na hora do grito de gol, o futebol ignora preconceitos e une as pessoas de todas as classes sociais. Que o digam aqueles torcedores de Londrina que se aglomeraram em frente do telão do Bar Brasil (centro da cidade) e na Lanchonete Natalinu’s (zona norte) para comemorar a vaga dos tetracampeões nas semifinais do Mundial da França. Todo mundo estava de verde-amarelo. Na Avenida Higienópolis, o trio elétrico da Skol esquentou novamente o samba nos pés dos foliões.
O Bar Brasil - tradicional reduto de universitários, empresários, profissionais liberais e boêmios da noite - voltou a receber a clientela habitual que lá esteve para fortalecer a corrente do penta. A sócia-proprietária do estabelecimento, Elaine de Souza Garcia, recusa o rótulo de que a casa é frequentada pela elite da cidade. ‘‘Pra falar a verdade, a gente nem olha esse lado. Diria que temos uma cara popular. Aqui, o pessoal se mistura bem, independentemente de ver o Brasil na Copa’’, conta Elaine.
Josoé de CarvalhoNa periferiaNo Natalinu’s, comemoração de mais um gol brasileiro: lanchonete vira ponto de encontro de torcedoresÉ verdade. O pecuarista Homero Mascaro Garcia e a esposa Patrícia não saem do Bar Brasil - tanto faz se o Brasil está ou não em campo. ‘‘Não saio daqui’’, reforça Homero. O jornalista Naym Libos e a filha Nayla também torceram muito pelo Brasil. A exemplo de Homero, Naym disse que a presença dele no local não tinha nada a ver com a Seleção. ‘‘Sempre venho ao Bar Brasil. Mas, se o Brasil joga, é claro que tudo fica mais gostoso’’, diz ele, levantando o copo de cerveja. O dentista Marco Cambará é outro que não sai de lá. ‘‘É a minha velha rotina’’, ele resume. A bibliotecária Elizabeth Leão, ao contrário, lá esteve pela primeira vez. ‘‘De tanto que falam, quis conhecer o Bar Brasil. O jogo da Seleção Brasileira não passou de um pretexto.’’
Um grupo de universitários - Guilherme, Alexandre, Eduardo José, Ângelo, Gustavo, Eduardo da Silva e Lucas - não arreda pé do lugar. ‘‘Isso é uma curtição legal’’, afirma Guilherme. ‘‘Aqui é um tremendo barato’’, define Daniela. Ao lado deles, estavam cinco funcionários de um cartório de Londrina: Cleverton, Simoni, Valéria, Débora e Fernanda.
Já na zona norte de Londrina, dezenas de moradores dos Cinco Conjuntos preferiram assistir a Brasil x Dinamarca no televisor da Natalinu’s Lanches. A maioria, trabalhadores que transformam o barzinho em ponto de encontro obrigatório no bairro. Homens, mulheres ou crianças, não importa. Todas se uniram no instante da derrota parcial do Brasil e, é claro, na hora de comemorar os 3 a 2. As irmãs Vanessa e Vakeska de Oliveira, além das amigas Clarice Borges Lucas e Angélica Vieira - as quatro, comerciárias - não frequentam a Natalinu’s só porque o Brasil estava em campo. ‘‘A gente só deixa a lanchonete para ir ao dancing’’, diz Clarice, a que mais gritou pelos gols de Rivaldo e Bebeto.
O casal Rosângela e Odair Ribeiro (donos da casa) comemorou os 3 a 2 no meio do clientes-torcedores. ‘‘Aqui, é como se formássemos uma família’’, orgulha-se Odair. Ambrósio Domingues, agente publicitário, não resistiu. ‘‘Quanto sufoco... Não precisávamos sofrer desse jeito’’, desabafou, referindo-se à pressão da Dinamarca. Roseli Batista da Cruz, vendedora, não se conteve de alegria. ‘‘Agora, vamos ao penta. Ninguém nos segura mais.’’ Ralvacir Schindler, torneiro-mecânico, torceu muito ao lado da esposa Márcia e da filha Jéssica. ‘‘É de arrebentar o coração’’, desabafou Ralvacir quando o árbitro apitou o final do jogo. ‘‘Que sofrimento, meu Deus...’’Josoé de CarvalhoNo centroClientes vibram no Bar Brasil: local atrai de universitários a empresários em dias de jogo da SeleçãoBar Brasil lotado, clientes fazem da lanchonete do Odair ponto de encontro da família: grito de gol une ‘ricos e pobres’

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