No Catar, Romário não teme a guerra
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quinta-feira, 20 de março de 2003
Agência Estado 
Rio de Janeiro - Apesar do início dos ataques norte-americanos contra o Iraque, o artilheiro Romário disse que pretende permanecer no Catar com o objetivo de cumprir seu contrato até 31 de maio, com o Al-Sadd. Ele só mudaria de idéia se sentisse ameaçado. Neste caso, voltaria ao Brasil. ''A guerra é lamentável e triste, mas se Deus quiser nada vai me acontecer'', disse Romário. ''Estou feliz e só voltarei se sentir alguma ameaça à minha integridade física, mas tenho fé de que nada vai ocorrer.''
Romário tem inúmeros motivos para se sentir feliz no Catar. Além de programar seu treinos e só se apresentar ao time quando deseja, ao sair nas ruas é tratado com veneração pela população local, que o tem por ídolo. Carinho que tem comovido o artilheiro, surpreso por tamanha e calorosa recepção.
Na terra dos príncipes, Romário tem sido tratado como um rei. O atacante está hospedado em um dos melhores condomínios de luxo da capital Doha e os amigos também não faltam. Além de seu preparador-físico, Fernando Lima, o Zé Colméia, ele ainda tem a companhia do fisioterapeuta Armando Marcial e de outros companheiros. ''Aqui tem muitos brasileiros trabalhando, já fiz amizade e até já arrumei dois dias na semana para realizar minha tradicional pelada'', contou. ''Durmo entre 1h e 2h e acordo às 12h. Realmente estou feliz, apesar de pensar que isso não fosse acontecer.''
Com os cerca de US$ 2 milhões já depositados em sua conta corrente, Romário vai aproveitar o tempo no Catar para arrecadar ainda mais. O jogador incluiu cláusulas contratuais prevendo uma premiação para suas participações em partidas e gols marcados. Até para conceder entrevistas, ele está cobrando. Falar com jornalistas somente por US$ 20 mil. O motivo apresentado pelo artilheiro é justo: o montante arrecadado com as declarações será destinado a sua fundação que cuida de cerca de mil crianças carentes no Brasil.


