A seleção brasileira feminina de vôlei está nas semifinais dos Jogos Olímpicos de Sydney. Na madrugada de ontem, pelas quartas-de-final, o Brasil bateu a Alemanha por 3 sets a 0, com parciais de 25/22, 25/18 e 25/17. Na próxima fase, às 4h30 de amanhã (horário de Brasília), as brasileiras vão reeditar contra Cuba a semifinal de Atlanta-96. Cuba passou para as semifinais de Sydney ao ganhar da Croácia por por 3 a 0, com parciais de 25/18, 25/23 e 25/21.
Por outro lado, a seleção masculina jogaria nesta madrugada diante da Argentina pelas quartas-de-final e, em caso de vitória, iria enfrentar também a seleção de Cuba nas semifinais do torneio.
Há quatro anos, a seleção cubana ganhou por 3 a 2 e chegou a ocorrer um tumulto entre as jogadoras no encerramento da partida. Cuba foi à final e levou o ouro. A equipe brasileira conquistou a medalha de bronze.
Mesmo as jogadoras novatas, que não estavam nos Jogos de 1996, lembram da partida diante das cubanas. ‘‘Não podemos entrar no jogo delas. Em Atlanta, isso aconteceu e nós perdemos. Agora, temos de manter o equilíbrio e dosar a ansiedade, se queremos chegar à medalha de ouro’’, afirmou Walewska, uma das mais jovens do grupo.
Para Virna, presente no jogo de Atlanta, enfrentar as cubanas é motivo de satisfação. ‘‘Esse jogo tem um sabor especial. Vamos ter de sacar bem, deixar o passe na mão para a Fofão distribuir o jogo. Esperei muito por este momento’’, declarou.
A derrota de 96 ainda mexe com o técnico Bernardinho, mas ele prefere esquecer o passado. ‘‘Tenho insônia lembrando lances daquela partida. De vez em quando, me vejo lembrando de uma jogada ou outra que poderia alterar o rumo daquele jogo. Mas não devemos mais tocar nisso. A realidade é outra. Temos de jogar com paciência e determinação para chegar à luta pelo ouro, nosso objetivo.’’
Bernardinho acredita ser possível superar o favoritismo cubano. ‘‘Este grupo (a seleção atual do Brasil) talvez não tenha o mesmo talento daquele, mas está muito coeso. As cubanas podem ser favoritas, mas também cometem erros.’’ Contra a Alemanha, ontem, o Brasil enfrentou dificuldades no primeiro set. As adversárias atuaram bem na defesa, impediram o distanciamento das brasileiras no placar, mas não evitaram a derrota.
Nos sets seguintes, as brasileiras deram menos chances às alemãs e ganharam com folga. ‘‘Começamos a partida nervosos. Quando controlamos os nervos e acertamos o posicionamento da equipe, o jogo fluiu e vencemos’’, afirmou Bernardinho.
A atacante Leila, que chegou a dizer nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no ano passado, antes de o Brasil derrotar as cubanas duas vezes, uma delas na decisão do título, que odiava as cubanas, disse que o clima entre as equipes é outro. ‘‘Quatro anos depois... novamente vai ser um jogo de nervos, em que vai prevalecer acima de tudo o equilíbrio emocional’’, concorda Leila. ‘‘Ainda existe rivalidade, mas é mais amena, já encontramos as cubanas na Vila Olímpica e o clima é bem menos agressivo’’.
Rússia x EUA – A outra semifinal do vôlei feminino será disputada entre Rússia e Estados Unidos. As russas se classificaram com a vitória de 3 a 0 (parciais de 27/25, 25/23 e 27/25) sobre a China. No jogo mais equilibrado das quartas-de-final, as norte-americanas venceram a Coréia do Sul por 3 a 2 (parciais de 26/24, 17/25, 25/23, 25/27 e 16/14). Quem ganhar na fase semifinal garante a medalha de prata e disputa o ouro na madrugada de sábado.

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