Seul - A seleção brasileira derrotou a Coréia do Sul por 3 a 2, em Seul, e atendeu a um pedido especial de Zagallo na preleção: ''Quero a vitória por mim e pelo pentacampeonato'', ele disse, sob o olhar de cumplicidade dos 22 convocados para o último amistoso do Brasil em 2002. Zagallo despediu-se da seleção, como treinador, e mostrou mais uma vez sua vocação de vencedor. Ronaldo já marcara duas vezes e a partida estava empatada. Mas aos 47 minutos do segundo tempo Ronaldinho Gaúcho marcou. ''Zagallo merecia, ele é nosso mestre'', sintetizou Ronaldo, o Fenômeno.
O time brasileiro fez uma homenagem ao técnico, erguendo-o sobre braços e ombros. Emocionado, Zagallo mal conseguia falar e apenas agradecia o empenho de todos com um ''muito obrigado''.
Aplicação não faltou mesmo ao Brasil. A equipe apresentou mais volume de jogo, mais técnica, com lances vistosos e aplaudidos, e criou várias oportunidades de gol. Ronaldo repetiu o que fizera na final da Copa, com a Alemanha: a cada três chances, conferia uma. Desta forma, perdeu quatro gols, mas deixou sua marca duas vezes, com seu estilo inconfundível: correr por entre os zagueiros para receber lançamento em profundidade e tocar na saída do goleiro.
Com o apoio entusiasmado de sua torcida, a Coréia assustou aos 8 minutos, numa cabeça certeira de Seol. A jogada surgiu após erro da arbitragem, que marcou falta de Dida numa bola atrasada de Cafu para Lúcio e em que um zagueiro coreano a interceptou com a mão.
Aos poucos, a seleção 'aquecia' e Ronaldo despontava com perigo. Ele empatou aos 16, completando passe preciso de Zé Roberto, um dos melhores em campo, com dribles desconcertantes.
Logo aos 13 da etapa final, o atacante Ahn, ídolo da Coréia por ter feito o gol da eliminação da Itália do Mundial, deixou sua equipe em vantagem, ao aproveitar defesa parcial de Dida, após cruzamento do lado direito. No banco, Zagallo parecia convicto de que seu time reagiria e não optava por substituições. Ronaldo então empatou de novo, aos 22, em situação quase idêntica a do primeiro gol. Desta vez, o passe veio do zagueiro Edmílson.
O artilheiro chutou a bola entre as pernas do goleiro. Quando todos no estádio já assimilavam a idéia do empate, Amoroso foi derrubado na área. À cobrança de Ronaldinho Gáucho, seguiu-se um cerco a Zagallo, abraçado e cumprimentado por todo o time e comissão técnica. Com os olhos embevecidos e um sorriso incontido, o ''Velho Lobo'' despedia-se da seleção.

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