São Paulo, 28 (AE) - Depois dos anos de glórias na elite do futebol brasileiro, os veteranos Túlio, de 30 anos, e Nílson, de 34, passam por um verdadeiro "vestibular da bola" para continuar brilhando nos campos da Segunda Divisão do futebol paulista e se afastar da aposentadoria. Atuando pelo São Caetano e Santo André, Túlio e Nílson, respectivamente, estão mudando de estilo para superar a forte marcação dos adversários na Segunda Divisão.
Túlio e Nílson foram contratados às pressas pelos clubes do ABC para, ainda na primeira fase, comandarem as equipes rumo à Primeira Divisão, aproveitando o sistema de acesso relâmpago. No entanto, os dois goleadores, que já chegaram à seleção brasileira, estranharam a forte marcação e, com suas equipes, deixaram escapar o objetivo. Para a próxima fase, que garantirá mais uma equipe na elite do Paulista de 2001, eles prometem um bom duelo em busca do sucesso.
Túlio, três vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro (Goiás em 89 e Botafogo em 94 e 95, neste último também foi campeão), mantém o otimismo. "Foi difícil me adaptar na Segunda Divisão, mas estou me acostumando e vamos chegar à Primeira", afirma o centroavante, autor de 507 gols nos 11 anos de carreira
garantindo ser mais difícil atuar na Série A2 do que na A1. "Na divisão principal, as equipes preocupam-se em jogar bola, na Segundona é só marcação", diz. Para desmontar as defesas, o jogador vem se colocando na intermediária e, ao receber a bola, arrisca o gol em dois toques.
Apesar de ter marcado apenas um gol este ano, a comissão técnica e os diretores do São Caetano estão satisfeitos com o "matador". "Vamos treinar as jogadas pelas pontas para favorecer o oportunismo do Túlio", adianta Jair Picerni, há duas semanas no comando da equipe. "O Túlio vem atraindo a marcação e facilitando a vida dos companheiros", afirma o supervisor de Futebol, Carlos Eiki.
CIGANO - Nílson, que passou por grandes equipes como Internacional-RS, no qual foi artilheiro e vice brasileiro em 1988, Grêmio, Corinthians, Portuguesa, Palmeiras, Atlético-MG, Atlético-PR, Flamengo, Vasco, Fluminense, Celta de Vigo, Valladolid, entre outras, também vem sentindo dificuldade. "Para passar pela marcação estou me movimentando", explica. Em toda a sua carreira, Nílson marcou 303 gols. "Isso sem contar minha passagem pela Ponte Preta, XV de Jaú e alguns estrangeiros."
Das dez partidas do Santo André, Nílson atuou em seis e marcou três gols. "Estou dentro da minha média, mas é claro que pretendia ter feito mais", afirma. "Estava sem jogar bola desde agosto; agora, estou adaptado e quase na plenitude da forma física, o que me da tranquilidade de fazer um grande campeonato."

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