Nike não manda na seleção, diz Luxemburgo
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Silvio Barsetti 
São Paulo, 10 (AE) - O técnico Wanderley Luxemburgo vai anunciar sexta-feira, no Rio, a convocação dos jogadores para os dois amistosos que o Brasil disputará este mês: dia 28, contra a Coréia, e dia 31, contra o Japão. As partidas são importantes para que Luxemburgo comece a definir o time-base para a Copa América e a Copa das Confederações, programadas para junho, julho e agosto. Em visita à redação do jornal O Estado de S. Paulo, o técnico garantiu que já tem praticamente a lista dos jogadores que vão disputar o pré-olímpico, em janeiro de 2000. "Só não vou adiantar nomes."
Na entrevista, Luxemburgo manifestou sua contrariedade com a iniciativa do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), que luta no Congresso Nacional pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mais notadamente o contrato firmado entre a entidade e a Nike. "Ele quer aparecer." Luxemburgo também contestou qualquer tipo de interferência da empresa de material esportivo na definição dos amistosos do Brasil. "A Nike não manda nada", afirmou. "A última palavra é sempre minha."
Preocupado em aperfeiçoar a imagem do treinador brasileiro no exterior, Luxemburgo vem fazendo um curso intensivo de inglês - são três aulas por semana, de 4 horas cada uma. Na sala, não pode falar nem pensar em português. "Se o Ronaldinho ligar para o meu celular, vou ter de dizer a ele: "wait a moment, please" (espere um momento, por favor) e ele vai ter de esperar mesmo", brincou. "Não quero dar uma entrevista coletiva amanhã e não saber concluir uma frase em inglês para dar margem a uma interpretação errada", justificou.
O técnico fez elogios à iniciativa de Carlos Alberto Parreira de tentar criar um sindicato nacional de treinadores. "É preciso regulamentar a nossa profissão para dar garantias e melhores condições de trabalho aos treinadores de futebol, basquete, vôlei." Luxemburgo irá à Europa em maio e quer aproveitar a visita para organizar simpósios com técnicos de grandes clubes da Espanha, Itália, Alemanha e Inglaterra. "É preciso haver mais intercâmbio entre nós, mais troca de experiências."
Para Luxemburgo, a realização da Copa de 2006 no Brasil possibilitaria a realização de investimentos sociais de grande alcance no País. Ele deixou claro também que no fim de seu contrato com a CBF, em 2002, o Corinthians terá a sua prioridade.
Sobre Ronaldinho, foi enfático ao dizer que o craque da Internazionale de Milão voltará aos planos da seleção quando estiver recuperado. Após dirigir a seleção em três jogos em 1998
só agora Luxemburgo começa a sentir, na prática, os problemas inerentes à sua função. Ele confidenciou ser mais difícil convocar os jogadores que atuam no Brasil do que os que estão no exterior. "Tudo por causa do nosso calendário."


