Descansando a 5,4 mil metros, no Acampamento Base do Everest, Waldemar Niclevicz e Irivan Burda aguardam o tempo melhorar para subir novamente até o Acampamento 3, a 7,3 mil metros e começar os preparativos do Acampamento 4, a 8 mil metros. Segundo o paranaense Niclevicz, com a montagem do Acampamento 3 e com o pernoite a 7,3 mil metros, a fase de aclimatação está finalizada. ''Podemos aproveitar a próxima fase de bom tempo para realizar o ataque final ao Everest'', disse Niclevicz.
Durante a estadia dos alpinistas no Acampamento 3, uma forte tempestade fechou a Cascata de Gelo por dois dias, devido a deslizamentos e avalanches. ''Alguns sherpas, que haviam descido mais cedo ao Acampamento Base, diziam que havia nevado mais de 50 centímetros no Vale do Silêncio. Na Cascata de Gelo também havia nevado bastante, muitas gretas estavam escondidas pela neve. Um perigo imenso para qualquer um que tentasse passar por ali'', descreveu o alpinista.
Conhecendo os perigos desta verdadeira armadilha, Niclevicz e Burda já encararam a Cascata de Gelo duas vezes. E ainda terão que enfrentar os perigos deste trecho mais uma vez, quando subirem para o ataque final ao cume. ''Da última vez que a enfrentamos, tomamos um dos maiores sustos das nossas vidas, quando um bloco de gelo, da altura de um prédio de cinco andares, desabou ao nosso lado, enquanto estávamos pendurados no meio de uma escada'', contou Niclevicz, que este ano volta ao topo do mundo, na Expedição 10 Anos do Brasil do Everest. Niclevicz, juntamente com Mozart Catão, foi o primeiro alpinista brasileiro a chegar ao cume do Everest, em 1995.
Localizada a 6.090 metros de altitude, a Cascata de Gelo é o trecho mais perigoso da rota padrão, na face Sul do Everest, no Nepal. O órgão responsável pelos equipamentos e manutenção do trecho é o Sagarmatha Pollution Committee Control (SPCC). Diariamente, uma equipe do SPCC faz a manutenção das escadas e das cordas fixas, cobrando uma taxa de US$ 30 mil, que é dividida entre as expedições da temporada.

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