Hoje é dia de comemorar e torcer pelo bom tempo. Há dez anos, na lua cheia do dia 14 de maio de 1995, Waldemar Niclevicz e Mozart Catão colocaram a bandeira do Brasil no topo do mundo, no alto dos 8.848 metros do Monte Everest (veja quadro ao lado). Para comemorar este feito inédito para o País, o alpinista paranaense Niclevicz, acompanhado de Irivan Burda, voltou à montanha mais alta do mundo.
Entretanto, o que era para ser uma festa transformou-se em um jogo de paciência. O mau tempo no Himalaia tem impossibilitado as expedições de avançarem. Niclevicz e Burda estão no Acampamento Base, a 5.400 metros de altitude, aguardando a melhora do clima.
Segundo Niclevicz, o tempo vem castigando os alpinistas, com fortes ventos e nevascas. ''Avalanches que destróem acampamentos e ventos que acabam provocando congelamentos, já levaram pelo menos dez alpinistas que estavam no Nepal a voltarem para suas casas, fugindo do indesejável ambiente hostil que paira sobre o Everest'', relata o alpinista.
Viajando há 53 dias, Niclevicz e Burda já sentem o cansaço de quem espera o momento certo de atacar o cume. Mesmo assim, os dois aventureiros nem pensam em voltar para casa. ''E depois de tanto tempo, tanto desejo, deixar o sonho escapar em razão do mau tempo? Não, ainda temos duas semanas antes da provável chegada da monção de verão, quando se dá por encerrada a temporada, em razão da chegada de grandes tempestades. Então, mais uma vez, paciência, muita paciência'', conta Niclevicz.

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