Nicarágua encontra abrigo em Xerém
Rio - O melhor jogador do time recebe R$ 2.500 mensais, alguns atletas são obrigados a ter outro emprego para ficar no futebol e a equipe raramente encontra rivais devido a suas deficiências técnicas. Concentrada desde o início da semana no Rio, a seleção da Nicarágua treina para deixar o incômodo rótulo de ''patinho feio'' do fraco futebol centro-americano.
Com ajuda de um empresário nicaraguense, dono de um time da segunda divisão do futebol do Rio, os atletas treinarão até o início do mês em Xerém para a disputa de um torneio classificatório para a Copa Ouro, principal competição das Américas Central e do Norte em 2011.
Neste período, a seleção fará cinco amistosos contra equipes da segunda e da terceira divisão do Rio. ''O futebol na Nicarágua ainda está crescendo. Por isso, viemos ao Brasil para nossos atletas ganharem experiência e também na tentativa de jogar. Quase ninguém quer nos enfrentar. Nossos adversários acreditam que uma derrota diante do nosso time pode se transformar em uma tragédia para eles'', disse o técnico espanhol Enrique Llena.
A Nicarágua ocupa a 158posição no ranking da Fifa. Até dentro da Concacaf, a seleção é coadjuvante - é a 24 melhor na lista. Além dos fracos resultados, a estrutura do futebol no país é pífia. Apenas oito times jogam a primeira divisão. ''A situação não é das melhores. Trabalho como professor de educação física durante o dia e treino com o time à tarde'', disse o zagueiro Milton Bustos, 28 anos. Nos dois empregos, Bustos ganha cerca de R$ 1.500.
Fundador e presidente de honra do Tigres do Brasil, clube-empresa que jogou o Estadual do Rio nos dois últimos anos, o empresário Miguel Larios é o mecenas da seleção. Ele vai ceder o CT para o time de seu país por um mês, com direito a hospedagem e alimentação. ''Sei que o futebol não será forte de um dia para o outro, mas faço questão de ajudar. A Nicarágua é o patinho feio do continente, mas estamos trabalhando para mudar isso'', afirmou Larios, que é dono de um grupo empresarial no setor de petroquímica.
Nem os jogadores nem os integrantes da comissão técnica acreditam na classificação da seleção nicaraguense para a Copa-14. ''Queremos chegar na final da Copa Ouro em 2011 e passar pela primeira fase das eliminatórias do Mundial. Essas são nossas metas'', disse Mauricio Cruz, assistente técnico do time. A Nicarágua nunca conseguiu superar a primeira fase do classificatório. Os adversários ainda não foram definidos. O sorteio será feito no Rio em julho.





