Santos - Como Pelé, entre 1955 e 1974, Neymar já é a marca de uma nova etapa na história do Santos. A diretoria santista se desdobra atualmente em complicadas engenharias financeiras para manter a sua principal estrela. E o jovem atacante de 20 anos dá a resposta, com a sua arte em campo, desequilibrando até em decisões e com provas de amor ao clube que o formou, esnobando montanhas de euros oferecidas pelos gigantes do futebol europeu.
A homenagem a Juary, ao marcar o segundo dos seus três gols na semifinal contra o São Paulo, domingo, no Morumbi, foi mais uma demonstração de respeito à história santista, rara entre os jogadores atuais. Depois do clássico, Neymar explicou que nas concentrações costuma assistir a vídeos de jogos antigos do Santos e num deles viu como o centroavante do time campeão paulista de 1978 comemorava - naquele momento, ele chegava aos mesmos 101 gols marcados pelo antigo ídolo com a camisa do clube.
Atualmente com 53 anos, Juary, integrante da primeira geração dos Meninos da Vila, está quase esquecido, como técnico do pequeno Sestri Levanti, da Série D do futebol italiano. Ele jamais imaginou que poderia ser lembrado pelo novo astro do futebol brasileiro, ainda mais num momento tão importante como a classificação que o deixa o Santos a um passo de se tornar tricampeão estadual pela terceira vez na história, a primeira depois da era Pelé. ''Fiquei feliz com a homenagem e ao saber que ele me tem como ídolo'', disse o ex-jogador.
As homenagens a jogadores históricos do Santos fazem parte do amadurecimento profissional de Neymar. A sua transferência para clubes da Europa foi dada como certa muitas vezes nos últimos anos, mas não se consumou por decisão dele. E o garoto sempre disse que ficava por amor ao Santos, ressaltando que dinheiro não é tudo na vida. Parecia justificativa vazia, mas, com o passar do tempo, mostra que esse é realmente o seu sentimento.
Nos tempos de Zé Love, Madson, Robinho e André, quando subiu para o elenco profissional, ele festejava os gols com dancinhas. Mas, como o improviso é uma das principais características do seu estilo de jogo, também nas comemorações passou a diversificar. Nos próximos jogos, os lembrados certamente serão Serginho Chulapa e João Paulo, que ocupam o topo da artilharia do Santos desde que Pelé parou de jogar, ambos com 104 gols - Neymar já está com 102.
Caso se confirme a sua promessa de ficar no Santos até pelo menos depois da Copa 2014, Neymar vai facilmente entrar para o seleto grupo dos 10 maiores artilheiros da história do clube. Depois de atingir a marca de Serginho Chulapa e João Paulo, o que pode acontecer já nas finais do Paulistão contra o Guarani, nos próximos dois domingos, ele vai atrás de Del Vecchio (17º da história, com 105 gols), Álvaro (106), Vasconcelos (111), Raul Cabral (120), Odair (134), Antoninho Fernandes (145), Camarão (150) e Tite (10º colocado, com 151).

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