Neymar rouba a cena em homenagem ao Santos na Câmara
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terça-feira, 10 de abril de 2012
João Domingos <br> Agência Estado 
Brasília - Com menos da metade do time titular - isso pouco importava, porque as atenções de todos eram quase só para Neymar -, o Santos Futebol Clube desfilou ontem pela Câmara dos Deputados, em Brasília, na sessão de homenagem aos 100 anos de fundação do clube, que serão completados no sábado. Foi aplaudido como se tivesse acabado de conquistar mais um título mundial, embora ainda esteja na metade de dois campeonatos, a Libertadores e o Paulistão.
Para tanto, a delegação santista não precisou pisar o tapete verde da Câmara, caminho diário de todos os deputados que vão para o trabalho legislativo. Os cinco jogadores do Santos que apareceram na sessão de homenagem tiveram à sua disposição o tapete vermelho, um privilégio dado aos chefes de Estado e de governo que visitam o Congresso em suas passagens por Brasília.
Neymar, Ganso, Rafael, Edu Dracena e Arouca, os cinco jogadores que representaram o time atual do Santos, levaram ao delírio cerca de 600 pessoas que foram à Câmara ver a homenagem ao centenário santista. Havia no meio dessa torcida centenas de garotos com o cabelo cortado ao estilo moicano, o modelo adotado por Neymar. Havia também carecas com perucas moicanas. E havia deputados torcedores do Santos com seus ternos e gravatas sóbrios. Mas quase todos babando pelos ídolos, como todo mundo. Pelé deveria ter ido à homenagem, mas não pôde viajar a Brasília.
Foi um momento de grande confraternização. O ex-atacante Pepe, um dos maiores ídolos da história santista, arrancou aplausos, embora nenhum dos garotos presentes saiba quem ele é, a não ser pelos documentários dos anos 50 e 60. Até os cartolas receberam aplausos. O presidente do Santos, Luís Alvaro de Oliveira Ribeiro, lembrou que o time tem uma torcida de 13 milhões de pessoas em todo o País. E que, em sua opinião, a decisão de manter no Brasil os jogadores como Neymar e Ganso foi a mais acertada. ''O Brasil não é mais só exportador de mão de obra'', disse ele.
Poucos, no entanto, ouviram o presidente do Santos, como muito poucos ouviram o que disseram os deputados que fizeram discursos para enaltecer o clube, fossem ou não santistas. Todos queriam mesmo era um autógrafo de Neymar. Enquanto os oradores gastavam o tempo, camisetas do Santos eram atiradas no rumo de craque. De tanto dar autógrafos, ele não pôde nem sequer escutar o que diziam os políticos e os cartolas.
Mas isso não importava. O ídolo agiu naturalmente até quando o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que ele será o maior jogador de futebol de todos os tempos, capaz de superar Pelé. E que, de passagem pela Espanha, quando foi perguntado sobre o que acha de Lionel Messi, o argentino do Barcelona, respondeu o deputado: ''O maior jogador da atualidade é Neymar, do Santos''.
Indagado pelos repórteres se daqui a 20 anos poderá se candidatar a uma vaga no Congresso, como aconteceu com outros jogadores - casos de Romário (PSB-RJ), Danrley (PSD-RS) e Deley (PSC-RJ) -, Neymar respondeu: ''Até lá ainda há muito tempo''. Foi o pouco que falou. Espremido pelos torcedores e protegido por seguranças, esgueirou-se por entre uns e outros, enquanto distribuía sorrisos e levava meninos e meninas ao delírio.
A tietagem foi geral. Dela não escapou Marco Maia, que se disse gremista, mas um admirador do Santos, e que chegou a dar umas cabeceadas numa bola, nem o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Santista, Gilmar Mendes foi à Câmara paparicar os jogadores e, em especial, Neymar.


