Teresópolis - Ainda falta a Neymar uma visão mais ampla das partidas. E isso nada tem a ver com sua condição técnica, qualidade acima da média e vontade de decidir. Contra os mexicanos, faltou-lhe uma compreensão mais clara do cenário, da postura defensiva do adversário e do tamanho do obstáculo que tinha de superar para chegar ao gol. Também falta ao atacante mais ajuda dos companheiros. Esse entrave Felipão precisa resolver já para a partida contra Camarões, na segunda-feira.
Nesses 24 dias que a seleção trabalha na Granja Comary, em Teresópolis, foi notória a dedicação do elenco em prol do atacante, francamente defendida por todos os jogadores. O grupo joga por Neymar. E Neymar joga para o time. Mas isso não basta mais.
Daniel Alves, seu colega de Barcelona, disse que Neymar é um diferencial do Brasil, e que a equipe tinha de se valer disso da melhor maneira possível. Jamais admitiu, como todos os outros, inclusive Felipão, a dependência da seleção ao seu talento. "A seleção joga para Neymar e ele joga para o time fazer gols", comentou Felipão após o empate de 0 a 0 com o México, em Fortaleza.
Mas não tem sido bem assim em campo. Contra os mexicanos, Neymar abusou das jogadas individuais sem se dar conta de que tinha um marcador em todos os setores do campo, não o mesmo porque o México não fez marcação individual, e que havia outros dois em sua cola para barrá-lo. Suas arrancadas deram sempre em nada, e seus melhores lances foram quando estava na área pedindo bola e não com ela nos pés. Daí a necessidade de o atleta entender melhor o jogo e saber que em algumas ocasiões ele não deve ser o protagonista, e apenas mais um coadjuvante.

MAIS "CRAQUES"
Para que isso ocorra, Neymar depende dos companheiros. Os adversários precisam descobrir outros "craques" do time brasileiro além dele, de modo que mandar a bola para seus pés o tempo todo, como insistiu o goleiro Julio Cesar no segundo tempo do jogo no Castelão, nem sempre é a melhor solução Neymar não pode ser o único a resolver problemas e dificuldades do time.
Felipão tem ressaltado desde o começo da Copa a força do grupo e a necessidade de o Brasil atuar coletivamente. Com sua disposição de sempre querer resolver, e se achar na condição para isso, Neymar se sobrecarrega, prende demais a bola, insiste nas jogadas individuais quando o melhor caminho é o passe. Foi assim que travou diante dos mexicanos em Fortaleza, embora tenha sido dele as melhores jogadas de gol, uma cabeçada no primeiro tempo e um chute de dentro da área na etapa final, ambas bem defendidas pelo goleiro Ochoa, o melhor da partida.
O Brasil tem jogadores para não depender de Neymar. Ocorre que todos eles estão amarrados na formação tática montada por Felipão, fazem o jogo burocrático e, por vezes, se esquecem de jogar com liberdade. Precisam se soltar e ajudar mais. A lista para isso inclui Oscar, Fred, Daniel Alves e Marcelo, além de Paulinho.
Se o grupo entender que Neymar nem sempre vai resolver tudo, e se Neymar conseguir perceber suas dificuldades numa partida, o Brasil terá mais opções quando o jogo se desenhar duro.

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