Ele voltou. Se é para ficar ou não, só o tempo dirá. Mas tanto o jogador como a torcida já sabem que aqui é o seu lugar. O meia Nem fez ontem seu primeiro treino depois que decidiu defender o Londrina pela quarta vez.
Ele voltou. E, assim como no clássico ''O Portão'', do rei Roberto e do tremendão Erasmo Carlos, tudo estava igual como antes, como em abril de 2005, quando pisou pela última vez no gramado do VGD. Ele está igual: brincalhão, sorridente, um cabra arretado, como bom nordestino. O clube está igual: promessas de dias melhores, pouca torcida, dificuldades financeiras. Quase nada se modificou. Mas ele encontrou algo diferente: ''Eu quero uma camisa do Londrina para vestir. Essa aqui é inteira azul'', brincou ao receber do assessor de imprensa do clube a nova camisa do Tubarão, sem as tradicionais listras.
Quem o viu contar sua passagem pela ASA-AL, seu último clube, acha que só ele mesmo mudou. Fez oito gols em 12 jogos pelo Alagoano e, por incrível que possa parecer, somente um foi de falta.
Ele entrou devagar. O retrato já não estava na parede, mas permanecia na cabeça do torcedor que não tem um ídolo desde que ele partiu há dois anos. Com os portões fechados, não havia ninguém à sua espera. Mas todos que comemoraram por 49 vezes seus gols sabem que ele voltou e é para ficar.
Não foi a vontade de fazer o 50º gol com a camisa alviceleste que o motivou. ''Meu objetivo é ser campeão pelo menos da Copa Paraná. Já bateu na trave algumas vezes e agora não dá mais, né'', contou.
Nem disse que tinha ''esquecido'' do Londrina e quem o lembrou do Tubarão foi o amigo Edmilson, com quem viveu bons momentos no clube em 2001 e em 2005. A conversa chegou até um radialista londrinense, que ligou para o meia perguntando se ele tinha interesse em voltar. Ele disse que sim. ''Demorou uns dias e o Adir (Leme da Silva, diretor de futebol) me ligou. Eu tinha uma proposta do Confiança-SE e, se ele cobrisse, eu viria. Foi uma choradeira danada para cobrir (a proposta). Mas ficou melhor'', disse, em meio a risos. ''Só joga no Londrina quem gosta mesmo''.
Nem disse que é o mesmo. ''Pelo menos gol não esqueci como faz'', justificou. E, porém, mudou a forma de fazê-los. ''O povo que fala que as faltas são meu forte. É forte quando você treina bastante''.
As faltas o deixaram na mão quando teve a chance de fazer o gol 50 pelo Londrina. Em seu último jogo no VGD, na semifinal do Paranaense de 2005, o Atlético cometeu mais de 60 infrações. Muitas delas próximas ao gol, onde ele costuma cobrr com precisão.
A ansiedade da época pode tê-lo atrapalhado. ''Agora não vou ter ansiedade nenhuma. Mas vai sair'', disse. ''Se tiver algum prêmio aí dou um jeito de agilizar'', brincou.
Nem quer estrear contra o J. Malucelli, dia 1º de julho, no VGD, na largada da Copa Paraná. O torcedor vai ter que aguardar para ver se é o velho Nem mesmo que voltou.

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