Nem tudo é alegria no Corinthians
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quinta-feira, 17 de junho de 1999
Por Émerson Couto 
Atibaia, 18 (AE) - Às vésperas de importante decisão e bem perto de mais uma conquista estadual, nem tudo é alegria ou entusiasmo entre os corintianos. Na concentração em Atibaia, podia-se descobrir, com facilidade, descontentamento de uns e incerterza de outros. "É claro que não posso ficar alegre com a situação que estou vivendo", diz Mirandinha. "Como posso rir agora?" Mirandinha perdeu a vaga de titular há cinco meses. Para o jogo de domingo, o antigo carrasco dos palmeirenses nem sequer alimenta esperanças de jogar alguns minutinhos.
"São sempre as mesmas substituições: o Dinei aos 15 minutos do segundo tempo, o Amaral aos 25 e o Pingo no finzinho do jogo para ganhar o bicho", afirma. Ele sente saudade dos gols, das comemorações irreverentes e da atenção da mídia. "Hoje, ninguém brinca na hora do gol." Mirandinha, de 27 anos, tem contrato até outubro e deve procurar novo clube.
O goleiro Maurício vive uma fase boa. Está há nove jogos no time titular, sofrendo apenas três gols. Apesar do bom desempenho e de uma eventual conquista do título, a chance de voltar à reserva é grande no segundo semestre. Um novo goleiro será contratado. "Depois de um título, se eu tiver de deixar a equipe vai ser sacanagem", diz. Em cerca de quatro anos de Corinthians, Maurício não reclamou da reserva. Hoje, aos 28 anos, valoriza seu potencial e fala até em deixar o clube.
"Se não puder jogar, vou para outro clube ou fico em casa." O atacante Dinei, que já reclamou antes, procura mostrar conformismo com a reserva. Nem os gols decisivos em outras competições lhe garantiram uma vaga no time principal. "Não tenho nenhum preconceito com relação a isso, aliás, tenho conseguido ficar em evidência", diz. O jogador acredita que, mesmo sem presença confirmada domingo, poderá deixar sua marca. "Sou um predestinado." Dinei vai virar garoto-propaganda de uma campanha pública antidrogas.
Evitar expulsões - Para o jogo decisivo, o técnico Oswaldo de Oliveira pediu aos atletas que não aceitem provocações. "Um placar dilatado (o Palmeiras precisa de vitória por três gols) depende de anormalidades", explica. Os fatos anormais, segundo ele, podem ser expulsões. "No primeiro jogo, fizemos dois gols depois de duas expulsões dos palmeirenses." Oswaldo garante que a equipe não tem mudança ou mistério. "Aqui, em Atibaia, ainda evoluímos na defesa, no ataque e na confiança", afirma.
O meia Edílson, que poderia trocar o Corinthians pelo Japão, acertou hoje sua permanência no clube.


