Curitiba - A torcida fez sua parte, assim como em todo o Brasileirão. Mesmo quando sofria terrível pressão do Internacional, que ainda sonhava com o título, e já sabendo do rebaixamento do time, após o término das partidas de São Caetano e Ponte Preta, os coxa-brancas cantaram até o fim o amor pelo time. Mais de 25 mil vozes, dos 32 mil presentes, fizeram questão de provar fidelidade ao Coritiba, agora na Série B do Brasileirão.
É claro, após o jogo, sobraram explicações e reclamações sobre o fracasso da equipe na temporada. ''Um presidente que xinga os jogadores do próprio clube, de 'pangarés', não dá! Ele faz bem a parte administrativa, mas não entende de futebol. Além disso, a briga com o Moro (Domingos, ex-diretor do Coxa e atual representante jurídico da Federação Paranaense de Futebol na Confederação Brasileira de Futebol) foi fundamental para a queda'', desabafou o funcionário público Marcelo Dallegrave, 38 anos.
''O Coxa jogou bem, o problema é que não dependia só dele'', disse o gerente Sandro Luiz Passos Rosa, 34. Sua irmã, Ana Carolina, completou: ''Se jogasse como jogou hoje (ontem) acho que não tinha caído'', fazendo referência à boa apresentação na vitória do Coritiba sobre o Inter.
Um grupo de torcedores fez questão de manchar um pouco a despedida do time da Série A. Jogaram pedras nos atletas e comissão técnica do Inter, que precisaram de proteção policial e tiveram que entrar correndo pelos túneis de acesso do gramado aos vestiários. A atitude deve dificultar a vida do Coxa na Série B, pois certamente o clube será punido pelo episódio.
Bastidores O presidente Giovani Gionédis enfrenta hoje oposição de Tico Fontoura e Ricardo Gomyde nas eleições à próxima diretoria do Coxa. E, ontem, após o rebaixamento, já adiantou o trabalho de tentar convencer os conselheiros à manutenção do atual comando. ''A maior virtude é saber que erramos e agora vamos fazer diagnósticos. Tivemos uma mudança estrutural e melhoramos as finanças. Mas tivemos a fatalidade de faltar três pontinhos na última rodada'', disse ontem o dirigente alviverde.
Gionédis também escolheu o maior erro da diretoria no percurso rumo à Série B. ''Deveria ter mandado o Cuca embora quando ele perdeu para o Atlético'', comentou, sobre a derrota para o arqui-rival, por 1 a 0, ainda no primeiro turno. O presidente alviverde adiantou ontem mesmo que Almir Zanchi, diretor-técnico da FPF, e o radialista José Hidalgo Neto, o Capitão Hidalgo, foram convidados para compor sua nova cúpula.
Os jogadores do Coxa, bastante abatidos, economizaram nas palavras. ''Infelizmente os outros resultados não ajudaram'', justificou Humberto. Já o técnico Márcio Araújo fez questão de se desculpar com o torcedor. ''Peço desculpas se faltou algo de minha parte. A gente está abatido mas a vida tem que continuar'', falou ontem, ainda sem saber se vai continuar no Alto da Glória.

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