Nem todos podem parar durante a Copa
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de junho de 2006
Fernando Rocha Faro<br>Reportagem Local 
Quando os craques brasileiros entram em campo para disputar a Copa do Mundo o País pára e vai pra frente da televisão acompanhar o desempenho da seleção. Ou melhor, quase todo mundo pára. Muita gente, por força da profissão escolhida, não consegue deixar os afazeres de lado e tem que trabalhar, inclusive sem a possibilidade de acompanhar ao jogo por um minuto sequer.
É o caso de profissionais como médicos, enfermeiros, policiais, motoristas de ônibus, pilotos de avião e controladores de tráfego aéreo. A função impede que muitos deles possam assistir aos jogos do Brasil na Copa e até mesmo ouvir a transmissão pelo rádio.
Como por exemplo os controladores de tráfego aéreo do Aeroporto de Londrina. Há nove anos na função, Adriana de Oliveira Menezes, 31 anos, conta que está acostumada a não poder acompanhar jogos importantes e até mesmo datas comemorativas como Natal e Ano Novo. ''A gente não pode ficar desatento nem por um segundo. Temos que dar autorização para pousos e decolagens e separar as rotas dos aviões no ar. Qualquer autorização errada pode resultar num acidente aeronáutico e em centenas de mortes. Temos de estar atentos o tempo todo'', comenta.
A única alternativa para conseguir assistir aos jogos é trocar a escala com um colega de trabalho. O que é praticamente impossível em datas especiais e mesmo em jogos do Brasil na Copa do Mundo.
Mesmo sem ser fanática por futebol, Adriana conta que gosta de ver as partidas da seleção na Copa. ''É bom poder acompanhar com a família e os amigos, fazer um churrasco para assistir ao jogo'', afirma. Mas garante que a paixão pela profissão supera qualquer frustração por não poder passar mais momentos com os familiares.
Há nove anos, a enfermeira Joseane de Oliveira Vieira Maestro, 34 anos, trabalha no Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Acostumada a cumprir jornada nos mais diferentes horários, ela não teve sorte e estava na escala no horário da estréia do Brasil contra a Croácia.
Mas a equipe de funcionários do HU não deixou a competição internacional passar em branco. Uma ''vaquinha'' arrecadou dinheiro para a decoração das alas do hospital e quem pôde acompanhou o jogo nas televisões da instituição.
Outra providência foi adiantar o serviço. ''Fizemos as transferências e passamos as medicações mais cedo. Assim alguns colegas conseguiram assistir. Só que eu não vi nada. Só vi o gol depois, à noite'', conta Joseane.
No final das contas, para esses profissionais, a torcida tem de ser em dobro: tanto pelo desempenho da seleção em campo como para não estar na escala no dia de jogo e assim conseguir ver o Brasil na Copa.


